Diagnóstico precoce da doença de Parkinson

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Diagnóstico precoce da doença de Parkinson

 Diagnóstico precoce da doença de Parkinson

O diagnóstico precoce da doença de Parkinson (fase prodrómica da DP) e a diferenciação de outros síndromas parkinsónicos constituem um importante desafio clínico, podendo ser auxiliado por técnicas de neuroimagem (exames de Ressonância Magnética).

 

 

 

 

O diagnóstico precoce da doença de Parkinson é um desafio clínico importante, podendo ser auxiliado por técnicas de Ressonância Magnética.

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa caraterizada pela degenerescência seletiva e progressiva e, perda de neurónios dopaminérgicos na substância negra.
Na doença de Parkinson cerca de 60 a 70% dos neurónios nigroestriados estão degenerados e cerca de 80% do conteúdo de dopamina do estriado está reduzida antes do diagnóstico clinico ser estabelecido.

Nesta fase, designada como fase pré-clinica ou prodrómica, existem sintomas motores e não motores.

A fase pré-clínica não implica a ausência de sinais ou sintomas clínicos de doença incipiente.

Pelo contrário, os sinais motores desenvolvem-se insidiosamente e sinais minor de hipocinesia assimétrica podem ser detectados muitos anos antes do diagnóstico de DP ser estabelecido.

Além disso, ocorrem sintomas não motores tais como doença do humor, sinais olfativos, vegetativos, sensoriais ou neuropsicológicos  (tais como, disfunção olfativa, obstipação, depressão, doença do sono REM).

A deteção da doença na fase prodrómica tem-se tornado importante, pelas implicações terapêuticas e prognósticas.

A Ressonância Magnética (RM convencional e técnicas avançadas) é útil na diferenciação da DP precoce, com sintomas motores iniciais, de síndromas parkinsónicos atípicos (como Atrofia multisistémica e Paralisia supranuclear progressiva), permitindo um diagnóstico precoce.

Na fase prodrómica da DP, técnicas de RM funcional e de tensor de difusão podem mostrar alterações no sistema olfativo. Estas técnicas avançadas de RM permitem avaliar a função olfativa desde o início dos sintomas motores, comparando com controlos saudáveis.

A RM funcional também pode ser usada para investigar a atividade cerebral relacionada com o processamento do olfato na DP.

A disfunção olfativa é um sintoma não motor frequente na DP e pode ser considerada  uma caraterística clínica precoce da doença, precedendo o aparecimento de sintomas motores.

A maioria dos doentes com DP são gravemente hipósmicos ou anósmicos.

A espetroscopia por RM in vivo tem sido usada de forma crescente no estudo da neuroquímica e metabolismo de energia cerebral na DP.

A espetroscopia multivoxel permite obter a concentração de diferentes metabolitos de diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo. Pode ser útil na avaliação imagiológica de doentes com DP precoce, com sintomas motores e, especialmente auxiliar no diagnóstico diferencial precocemente.

Avanços recentes incluindo a disponibilidade de maiores campos magnéticos, permitindo maior resolução temporal e espacial do espetro, o desenvolvimento de método fiável para a quantificação de metabolito em termos absolutos e o desenvolvimento de vários métodos para aumentar a identificação do sinal do metabolito, podem ser de grande valor para examinar as alterações no perfil bioquímico de forma não invasiva e estabelecer o diagnóstico diferencial entre DP precoce e outras formas de parkinsonismo.