Perturbações crónicas da consciência

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Perturbações crónicas da consciência

Perturbações crónicas da consciênciaAs principais perturbações crónicas da consciência  são o estado vegetativo e o estado de consciência mínimo.

 

 

 

 

 

As perturbações da consciência são atualmente objeto de importante investigação neurocientífica, nomeadamente por exames de neuroimagem e eletrofisiologia, pelas implicações éticas associadas.

A consciência é uma condição de normal vigília (abertura dos olhos, ciclos de sono-vigília preservados) e atenção/consciência (do próprio e do ambiente), na qual os indivíduos são totalmente responsivos às percepções e pensamentos, o que é evidenciado pelo seu comportamento e discurso.

Uma perturbação do estado de consciência surge quando a vigília e/ou a atenção/consciência (de si e do que o rodeia) estão comprometidas devido a lesão cerebral grave.

Nos últimos anos, os avanços na medicina (em particular nos cuidados intensivos) têm aumentado a sobrevivência de doentes com lesão cerebral grave e com perturbações sérias da consciência.

Alguns desses doentes não readquirem consciência devido a significativa lesão cerebral. Nestes casos, tratamentos para prolongar a vida podem levar a que estes doentes permaneçam com perturbações do estado de consciência por décadas, vivendo num estado vegetativo ou num estado de consciência mínimo.

O estado vegetativo (“unresponsiveness wakefulness syndrome”) e o estado de consciência mínimo são consideradas as duas principais doenças de consciência crónicas.

O estado vegetativo é caraterizado pela presença de ciclos “sono-acordar” (ciclos preservados), respiração espontânea e circulação estável, que se deve a função do tronco cerebral intacta, na ausência de reações (comportamento) a estímulos, interação ou comunicação. É assumido que um doente em estado vegetativo está acordado, mas não está consciente em relação a si e ao que o rodeia. Esta condição clínica pode permanecer permanente.

Pelo contrário, os doentes em estado de consciência mínimo têm um comportamento inconsistente, mas com propósito reproduzível, manifestado por sinais subtis como olhar dirigido, uso correto de objetos, verbalização inteligível, obediência a ordens simples. É assumido que a consciência está preservada nestes doentes, ainda que num nível básico.

Ambas as doenças de consciência têm de ser distinguidas do síndroma “locked-in” ou estado desaferentado, uma situação rara em que a função do sistema reticular ascendente está preservada, apesar de extensa lesão do tronco cerebral.

Surge por exemplo em casos de acidente vascular cerebral da protuberância ou doenças neuromusculares (por exemplo, síndroma Guillain Barré) que causem tetraplegia e diplegia facial. Neste caso, os doentes estão totalmente acordados/conscientes, mas não se podem exprimir devido a paralisia extensa, ainda que muitos sejam capazes de usar o olhar vertical ou os movimentos das pálpebras para comunicar.

O síndroma “locked-in” mostra que a não depende necessariamente da capacidade de um individuo se exprimir ou interagir com os outros, seja verbalmente seja através de comportamentos.

Daí que, a ausência de evidencia de consciência não é equivalente a ausência de consciência.

Como é que se pode provar então se a pessoa está ou não consciente?

É possível provar a ausência ou presença de consciência em doentes com diagnóstico de estado vegetativo  ou estado de consciência mínimo usando tecnologia neurocientífica?

Muitos investigadores têm tentado responder a esta questão apresentando diferentes estímulos aos doentes e registando a sua reação usando técnicas eletrofisiológicas ou imagiológicas (imagiologia cerebral funcional).