Alterações transitórias da consciência

Posted on Posted in Conhecer o cérebro, Patologia cerebral

Alterações transitórias da consciência

Alterações transitórias da consciência

As alterações transitórias da consciência são frequentes.
O principal diagnóstico diferencial é entre síncope e epilepsia.

 

 

 

São frequentes os doentes com alterações transitórias da consciência.

O principal diagnóstico diferencial é entre síncope e epilepsia (crises epilépticas).

Abordaremos de seguida algumas das caraterísticas das síncopes.

Síncope

A síncope é uma perda de consciência abrupta e transitória, causada por hipoperfusão cerebral, isto é, causada por uma redução global e reversível de aporte sanguíneo cerebral.

Podem ser considerados três tipos de síncope:

– síncope por mediação neural (síncope vaso-vagal);
– síncope por hipotensão ortostática (neuropática ou induzida por fármacos);
– síncope cardíaca (por arritmias cardíacas).

Tipicamente, os doentes podem ter um “aviso” antes de perder a consciência e cair, nomeadamente palidez, hipersudorese, náuseas e visão turva (sintomas prodrómicos). Se forem colocados deitados, com a cabeça no mesmo nível que o coração, melhoram rapidamente (1 a 2 minutos ou menos). Se a queda for impedida, a hipoxia cerebral pode ser prolongada e podem mesmo ocorrer movimentos convulsivos.

Em cada caso, podem ocorrer movimentos convulsivos “minor”.
O quadro clínico pode ser complicado se a anoxia cerebral é grave ou prolongada ou se ocorre contusão cerebral por traumatismo associado à queda.

A síncope vaso-vagal é o tipo mais frequente e tem uma evolução benigna (isto é, um prognóstico favorável).

Por outro lado, a síncope cardíaca está associada a elevada morbilidade e mortalidade.

Os doentes com pré-síncope têm um prognóstico idêntico aos doentes com síncope e devem efetuar uma avaliação médica idêntica.

Nos doentes com síncope vaso-vagal, os episódios recorrentes de síncopes podem levar a alterações das funções cognitivas, como por exemplo, a uma redução da memória a curto prazo. Conclui-se assim que estes episódios recorrentes podem ter um impacto negativo na evolução clínica (Jedrzejczk-Spacho J. et al, 2017).
A avaliação inicial dos doentes com síncope deve incluir uma história médica detalhada, exame clínico e eletrocardiografia. Exames laboratoriais e exames de neuroimagem devem ser efetuados apenas se houver indicação clínica.
A avaliação inicial pode diagnosticar até 50% dos doentes e permite uma estratificação de risco a curto prazo.

Em casos de síncopes inexplicadas, é necessário efetuar testes de provocação (teste de Tilt) e monitorização eletrocardiográfica prolongada.

O tratamento das síncopes vaso-vagal e por hipotensão ortostática é um tratamento de suporte.
A educação do doente e evitamento de fatores desencadeantes são importantes.
No entanto, em muitos casos é necessária farmacoterapia.

Em casos de síncope vaso-vagal grave pode estar indicada a colocação de pacemakers cardíacos de dupla câmara, que atuam apenas no componente cardio-inibitório do refelexo, não atuando diretamente na vasodepressão. (Sutton R., 2017).

A síncope cardíaca requer tratamento cardíaco específico.

É importante reconhecer o tipo de síncope, pois têm distintos tratamentos e prognóstico.

No diagnóstico diferencial de síncope e crises epilépticas devem ser consideradas outras entidades: os acidentes isquémicos transitórios, a enxaqueca com aurea, amnésia global transitória e  pseudoconvulsões.

Outras causas de alterações transitórias da consciência devem ser consideradas, como por exemplo:

– hipoglicemia (habitualmente com sintomas prodrómicos tais como ansiedade, tremor, desequilíbrio, sudorese; a perda de consciência pode ser mais prolongada, com duração superior a 1 hora; podem ocorrer convulsões);

– crises psicogénicas (podem estar associadas a hiperventilação e podem mesmo ser reproduzidas por hiperventilação voluntária).