Avaliação do doente com alteração do estado de consciência

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Avaliação do estado de consciência

Avaliação do doente com alteração do estado de consciênciaA avaliação do estado de consciência é um aspeto fundamental da avaliação neurológica.
No doente com alteração do estado de consciência é também importante a avaliação dos sinais vitais, do padrão respiratório, avaliação dos movimentos do corpo, sinais pupilares e oculares.
A escala de coma de Glasgow é usada na avaliação inicial e seriada do doente com alterações da consciência.

 

 

 

A avaliação do estado de consciência é um aspeto fundamental da avaliação neurológica.

No doente com alteração do estado de consciência (por exemplo, o doente em coma) é também importante a avaliação dos sinais vitais, do padrão respiratório (por exemplo, hiperventilação, respiração de Cheyne-Stokes), avaliação dos movimentos do corpo, avaliação das pupilas (tamanho e reatividade) e dos movimentos oculares (incluindo reflexos óculo-vestibular e óculo-cefálico).

A avaliação de um doente com alteração do estado de consciência deve ter em conta a história clínica e exame objetivo geral, permitindo por exemplo a identificação de causas tratáveis de alteração da consciência (em particular evidencias de traumatismo, infeção, epilepsia e aumento da pressão intracraniana).

Na avaliação inicial é importante obter todas as informações possíveis relativamente ao doente e à evolução do estado clínico até à observação médica. São importantes as informações dos familiares, acompanhantes dos doentes e de outros profissionais (por exemplo, polícia, bombeiros, que encontraram o doente em coma).

No exame objetivo é possível obter sinais indiretos de eventos recentes, doenças crónicas e de hábitos do doente. São exemplos: presença de equimoses , presença de escoriações (possível traumatismo craniano?), hálito alcoólico, estigmas de doença hepática, picadas de injeção nos membros superiores (consumo de drogas endovenosas?), entre outras.

Em doentes inconscientes, devem ser adoptados imediatamente cuidados de emergência, antes de um exame neurológico completo (exame de olhos e dos membros). Os cuidados de emergência habituais têm de proteger a função respiratória e circulatória do doente (A-airway; B- breathing; C- circulation) e, reverter qualquer causa reversível de alteração do estado de consciência.

A avaliação do estado de consciência, isto é, a determinação do grau de afundamento do estado de consciência (de acordo com tabela anexa) é efetuada estimulando o doente e observando a sua resposta (abre os olhos?, fala?, cumpre ordens?).

Alteração do estado de consciência

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pela dificuldade na avaliação uniforme do estado de consciência de um doente surgiram escalas, das quais a escala de coma de Glasgow (ECG). Esta escala (ECG) é frequentemente utilizada na avaliação inicial dos doentes, e baseia-se em três parâmetros: abertura dos olhos, melhor resposta verbal e melhor resposta motora. A avaliação dos parâmetros mencionados implica a aplicação de estímulos uniformizados, observação e registo da melhor resposta em cada parâmetro (de acordo com a tabela anexa).

Escala de coma de Glasgow

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A pontuação máxima obtida (15) corresponde a uma pessoa consciente e totalmente alerta.

A pontuação mínima (3) é obtida num doente em coma profundo, não responsivo.

Os doentes em coma apresentam uma pontuação igual ou inferior a 8.

O uso da escala de coma de Glasgow ou mesmo a descrição dos seus parâmetros é importante na avaliação inicial do doente e especialmente para avaliação da evolução clínica.