Consciência

Posted on Posted in Conhecer o cérebro

Consciência

Consciência“Consciência é um estado mental em que temos conhecimento da nossa própria existência e da existência daquilo que nos rodeia.” (António Damásio).

Consciência é em regra definida como um estado de alerta ou reconhecimento do eu e daquilo que o rodeia.

“Consciência é um estado mental em que temos conhecimento da nossa própria existência e da existência daquilo que nos rodeia.” (António Damásio).

Consciência é assim um “estado mental particular” em que “a mente está a funcionar”, “e o estado mental inclui o conhecimento de que a dita existência ocupa uma certa situação, de que existem objetos e acontecimentos que a cercam.”

 

 

Segundo António Damásio, os estados mentais têm sempre conteúdo (são sobre  algo) que tende a ser aprendido e são qualitativamente distintos de acordo com diferentes conteúdos que vão sendo adquiridos/aprendidos. Os estados mentais conscientes fazem-nos sentir algo.

Assim, o estado mental consciente ocorre quando estamos acordados, tendo conhecimento da própria existência e do meio que rodeia.
Os estados mentais conscientes estão relacionados com experiências sensoriais distintas (por exemplo, visual, auditiva, corporal).
Os estados mentais conscientes são “sentidos”.

A consciência não se refere apenas a estados de vigília. A perda da vigilia não significa perda de consciência.

Não se refere a um processo mental simples.

As pessoas dizem frequentemente que “estão conscientes de algo”, quando querem dizer que “têm algo em mente”. Também não se refere a auto-consciência (“tomar mais consciência de si próprio”).

Consciência e estado de vigília não são a mesma coisa.
Estar acordado é um pré-requisito para se estar consciente.
Quando adormecemos (naturalmente ou por indução anestésica), a consciência desvanece-se do seu formato habitual.

Para estar consciente é necessário:

  • Estar acordado
  • Ter uma mente operacional
  • Ter nessa mente uma sensação automática, espontânea e direta do Eu enquanto protagonista da experiência.

A presença do estado de vigília e da mente são assim necessários para estarmos conscientes.

O estado de vigília e a consciência não são a mesma coisa.
Isto torna-se evidente quando nos deparamos com doentes em estados vegetativos.
Os doentes em coma, por exemplo, não reagem a qualquer estímulo de quem os examina e não apresentam sinais espontâneos de percepção do Eu ou daquilo que os rodeia. Apresentam muitas vezes os olhos abertos, mas o olhar não é dirigido para nenhum objeto específico (“olhar vazio”)
Quando os doentes estão em coma, todos os fenómenos associados à consciência (vigília, mente e eu) parecem estar ausentes.
Se a doença neurológica desagrega a consciência, as reações emocionais estão ausentes e presume-se que os sentimentos correspondentes também desaparecem.

 

Baseado em “O livro da Consciência” de António Damásio
(“A consciência observada – Estar consciente”, cap.7, páginas 199-226)