A meditação

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A meditação e alterações cerebrais

MeditaçãoA prática da meditação tem-se tornado crescente pelos seus efeitos benéficos a curto e longo prazo. A meditação induz alterações cerebrais em áreas neuroanatómicas determinantes no auto-controlo (função executiva) e, na regulação do humor e emoções (alterações comprovadas por exames de imagem).

A meditação mindfulness (meditação “atenção plena”) pode mesmo ser uma abordagem com potencial terapêutico em casos de comportamentos aditivos (como por exemplo o tabagismo, alcoolismo). As alterações cerebrais induzidas pela meditação (substância branca e córtex cerebral), permitem já considerar o seu potencial na intervenção e prevenção de doenças mentais.

 

 

 

 

A meditação mindfulness (“atenção plena”) tem demonstrado efeitos benéficos no bem-estar psicológico e geral. Há registos de alterações emocionais e alterações positivas do humor.

A meditação mindfulness pode melhorar a função de controlo de redes neuronais, incluindo aquelas que levam a uma melhoria da regulação das emoções.

Pode ser uma abordagem promissora para o tratamento de comportamentos aditivos.

A clínica dos comportamentos aditivos inclui: um incentivo reforçado para o consumo de drogas, auto-controlo diminuido (impulsividade e compulsividade), desregulação emocional (humor negativo) e maior reatividade ao stress.

Os sintomas relacionados com redução do auto-controlo envolvem atividade cerebral reduzida no córtex cingulado anterior, no córtex pre-frontal adjacente e noutras áreas cerebrais. Exames de neuroimagem funcional têm mostrado aumento da atividade cerebral no córtex cingulado anterior e no córtex pre-frontal após meditação.

Alterações cerebrais têm sido demonstradas logo após algumas semanas (oito semanas de meditação diária, segundo um estudo de Harvard) e mais acentuadas com o tempo. Em meditadores de longo prazo foi revelado aumento da substância cinzenta na região da ínsula e regiões sensoriais (córtex sensorial, região sensorial do córtex auditivo, por exemplo).

Uma das formas de meditação mindfulness, conhecida como IBMT (integrative body-mind training), com origem na Medicina tradicional chinesa, melhora a atenção, auto-regulação e o humor logo após algumas horas de treino.

Estudos antigos com EEG (eletroencefalograma) tinham mostrado assimetria da atividade elétrica frontal.
Alguns estudos mostraram alterações na eficácia da substância branca induzidas pela meditação (Tang YY et al, 2012), envolvendo aumento da mielina e outras alterações axonais. Mostrou um padrão dinâmico de alteração da substância branca envolvendo o córtex cingulado anterior, cuja importância funcional já foi referida (auto-controlo). A neuroplasticidade da substância branca surge após meditação de curta duração.

Estudos recentes de neuroimagem (Estudos de fluxo sanguíneo cerebral por RM cerebral; Tang YY et al, 2015) mostraram aumento significativo do fluxo sanguíneo cerebral no córtex cingulado anterior ventral, no córtex pré-frontal medial e na insula, após meditação de curta duração (5 dias, 30 minutos/dia, IBMT – integrative body-mind training). Esta forma de meditação, tal como outras formas de relaxamento, mostraram lateralidade esquerda do fluxo sanguíneo cerebral por RM. Apenas esta forma de meditação mostrou em pouco tempo alterações cerebrais (medidas em fluxo sanguíneo) em áreas cerebrais críticas na auto-regulação.

A meditação parece induzir alterações em áreas corticais específicas e alterações na substância branca em redes neuronais relacionadas com o auto-controlo, pelo que deve ser considerado o seu potencial na intervenção e prevenção de doenças mentais.

 

 

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