Doença de Parkinson

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Diagnóstico e Tratamento de Doença de Parkinson

Doença de Parkinson

O diagnóstico da Doença de Parkinson é essencialmente clínico, baseado nas manifestações mais frequentes já mencionadas. Outras doenças devem ser consideradas no seu diagnóstico diferencial. O tratamento é sintomático, médico ou cirúrgico.

A acuidade do diagnóstico clínico “em vida” é ainda hoje limitada.

O diagnóstico correcto da Doença de Parkinson é importante por motivos terapêuticos e prognósticos, mas também para a realização de estudos clínicos, farmacológicos e epidemiológicos.
Apesar dos avanços da imagiologia e genética , o diagnóstico da Doença de Parkinson continua a ser essencialmente clínico, na grande maioria dos doentes .

Diagnóstico:
O diagnóstico baseia-se essencialmente na clínica do doente e, é importante para o tratamento adequado.
No inicio da doença, o diagnóstico clínico é por vezes difícil.
A evolução da doença permite, em regra , ficar mais seguro do diagnóstico clínico por neurologistas , com experiência.

Estudos complementares de diagnótico, tais como exames de neuroimagem “sofisticados” (PET encefálica) e  estudos genéticos , entre outros, poderão contribuir , em vida , na precisão de diagnóstico , mas não são necessários por rotina.
As dificuldades de diagnóstico em idosos pode ser maior face ao aumento de ocorrência de outras patologias cerebrais.

Diagnósticos diferenciais:

O diagnóstico diferencial mais comum é com o Tremor essencial.
O tremor essencial é muito mais frequente que a Doença de Parkinson .
Surge em idosos , na maioria dos casos , mas também em idades jovens .
Caracteriza-se por tremor de acção (ou seja na execução de movimentos ). Atinge , sobretudo as mãos , mas pode também surgir na cabeça — tremor cefálico – afirmativo ou negativo ( ou seja , como que “dizendo que sim ou que não”) .

O Parkinsonismo induzido por fármacos não pode ser também esquecido no diagnóstico diferencial da Doença de Parkinson , pois é reversível com a retirada do agente causal .
Os doentes idosos, por vezes, tomam múltiplos medicamentos e devem ser interrogados especificamente sobre o uso de anti-psicóticos , anti-hipertensores , alguns anti-depressivos , anti-epilépticos e lítio ) pois alguns deles podem causar tremor e /ou parkinsonismo.

As dificuldades de diagnóstico com outras neurodegenerativas como a Doença dos Corpos de Lewy , a Paralisia supranuclear progressiva , a Atrofia de Múltiplos Sistemas , até a Doença de Alzheimer e a Encefalopatia vascular .
A possibilidade de erro é , ainda , maior nos mais idosos, face à maior ocorrência de patologia mista.

A progressão da doença é variável .

O carácter lento e progressivo da doença tem um impacto significativo nos doentes , na família e na sociedade . Contudo, pode afirmar-se que a evolução é mais lenta e a resposta à terapêutica farmacológica mais duradoura nas formas com tremor, como sintoma inicial .
Em contrapartida , doenças de início depois dos 50 anos e instabilidade postural precoce na evolução da doença são , em regra , de progressão mais rápida .

O tratamento médico da doença é sintomáticomédico e/ou cirúrgico – e a cargo preferencial de equipas multidisciplinares – neurologistas, preferencialmente vocacionados para este tipo de doença , bem como fisiatras , internistas /médicos de família , enfermeiros , e outros profissionais , como os neurocirurgiões nos casos com indicação cirúrgica ou até outros em função dos problemas de cada doente .

Como mensagem final , não queria deixar de transmitir , que a Doença de Parkinson , descrita pela primeira vez , em 1817 , por James Parkinson , ainda hoje tem apenas confirmação de diagnóstico em 80,6% dos casos em estudos clínico – patológicos ( Neurology 2016 ) . O mesmo estudo aponta que a acuidade do diagnóstico não melhorou nos últimos 25 anos , especialmente nos estadios iniciais da doença e termina com a afirmação que os estudos de imagem e biomarcadores são urgentemente necessários para melhorar a acuidade do diagnóstico clínico em vida.

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