Reserva cognitiva

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Reserva cognitiva

Reserva CognitivaReserva cognitiva é a capacidade do cérebro em resistir a processos neuropatológicos, que ocorrem naturalmente com o avanço da idade, sem expressão clínica.

A reseva cognitiva refere-se a diferenças interindividuais na capacidade de adaptação, isto é, no uso adaptativo de recursos cerebrais para lidar com alterações histopatológicas e manter o funcionamento cognitivo.

O conceito de reserva cognitiva sugere que uma inteligência inata ou aspetos de experiência de vida (como educação, ocupação profissional) podem fornecer reserva ao cérebro, dotando-o de capacidades paticulares que o permitem lidar com os processos neuropatológicos até atingir um limiar crítico, sem expressão clínica. Após o limiar crítico de “resitência” do cérebro individual, há expressão clínica de diminuição cognitiva e funcional (Scarmeas N. & Stern Y., 2003)

O conceito de reserva cognitiva propõe que os individuos diferem na quantidade de neurónios, sinapses e conexões neuronais disponíveis a serem perdidas antes de apresentarem sintomas clínicos (por exemplo, queixas de alteração da memória). Por exemplo, um cérebro que estabeleceu um número superior de conexões sináticas funcionais pode tolerar mais alterações neuropatológicas (que ocorrem inevitavelmente com o avançar da idade) do que outro “menor”.

A função cerebral, e não a estrutura cerebral, é que determina a reserva cognitiva.

O que contribui para a reserva cognitiva ao longo da vida?

Existem diferentes variáveis que influenciam a reserva cognitiva individual, tais como:

  • anos totais de escolariedade;
  • coeficiente de inteligência (inteligência pré-mórbida);
  • ocupação profissional ao longo da vida;
  • atividades cognitivas;
  • capacidade linguística precoce;
  • bilinguismo ou mutilinguismo;
  • variáveis relacionadas com estilo de vida saudável (hábitos), como alimentação, atividade física regular, meditação, entre outros.
    (Stern Y., Scarmeas N., Feart C. &Hughest, 1994 a 2010)

São assim fatores protetores do envelhecimento cerebral.

A reserva cognitiva é estimada medir as variáveis mencionadas. Existem assim variáveis que contribuem para uma reserva cognitiva robusta.

Também devem ser considerados outros fatores: tabaco, consumo de alcool, nutrição, exposição a tóxicos, características de personalidade e hábitos de sono, por exemplo.

A reserva cognitiva é construida ao longo da vida!

Uma estimulação cognitiva intensa e hábitos de vida “saudáveis” ao longo da vida podem contribuir para uma reserva cognitiva elevada e, consequentemente para uma maior resiliência perante alterações neuropatológicas associadas ao envelhecimento.

Ter uma elevada reserva cognitiva pode permitir manter o funcionamento cognitivo apesar de existir lesão cerebral (focal/difusa).

Doentes com elevada reserva cognitiva podem manter-se clinicamente pouco afetados (rendimento cognitivo relativamente preservado), mesmo quando os dados neuroimagem ou neuropatológicos mostram um processo avançado de doença.

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