Teste de Wada

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Teste de Wada

Teste de WadaO teste de Wada é um procedimento de injeção intra-carotídea de amobarbital. Tem sido importante na avaliação pré-cirúrgica de doentes com epilepsia refratária à medicação farmacológica. 

Tem importante valor diagnóstico na determinação da lateralização hemisférica: dominância hemisférica da linguagem e funcionamento da memória.

Em 1949, Wada descreveu pela 1ª vez um método para determinar a dominância hemisférica para a linguagem, que consistia na inibição (por anestesia) de um hemisfério cerebral, sem afetar as funções básicas vitais.
O teste de Wada consistia na injeção intracarotídea (por cateter via artéria femoral) de um anestésico cerebral (amobarbital) em dois dias separados, um em cada hemisfério. Antes da “anestesia”, ensinava-se aos doentes as provas que iriam realizar, e durante alguns minutos (efeito anestésico) estudava-se a dominância hemisférica para a linguagem e memória.
Durante o tempo da anestesia hemisférica, a inativação de determinada função sugere que a mesma se encontra localizada nesse hemisfério.
Tradicionalmente é uma técnica de anestesia cerebral usando amobarbital (barbitúrico) intracarotídeo. Entre outros, mais recentemente, o propofol tem sido sugerido como fármaco alternativo ao amobarbital.

O teste de Wada pode ser considerado uma “cirurgia farmacológica” durante três minutos, aproximadamente.

Têm sido reportadas algumas complicações associadas ao procedimento, nomeadamente: convulsões, status epiletpicus, vasospasmo da artéria carótida interna, injeção descuidada de anestésico na artéria carótida externa e encefalopatia transitória.
As complicações do teste de Wada não têm sido associadas a morbilidade significativa ou mortalidade.

Nos últimos anos, novos métodos imagiológicos não invasivos foram validados para a lateralização da linguagem, mas o teste de Wada continua a ser o gold standard para a avaliação da dominância hemisférica.

O teste de Wada nunca foi um procedimento uniforme. A prática clínica varia muito nos diferentes centros, com um número diferente de candidatos cirúrgicos a submeter-se ao teste de Wada. Continua a ser debatida a necessidade de efetuar este teste na avaliação pré-cirúrgica dos doentes (doentes com epilepsia refratária à terapêutica farmacológica, isto é, doentes em que se considera necessária a intervenção cirúrgica). Em muitos casos, a eficácia das técnicas não invasivas diminui a necessidade de realizar o teste de Wada.

A indicação para a realização do teste de Wada deve ser determinada individualmente (de acordo com a situação clínica específica a esclarecer), considerando cuidadosamente a possibilidade de métodos alternativos não invasivos. (Baxendale S., 2009).

O teste de Wada deve ser considerado um meio diagnóstico seguro para a lateralização da memória e da linguagem (Beimer NJ et al, 2015).

 

 

 

 

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