Teste de Wada

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Teste de Wada – aplicações clínicas

Teste de WadaO teste de Wada deve ser considerado um meio diagnóstico seguro para a lateralização hemisférica da memória e da linguagem.
A indicação para a realização do teste de Wada deve ser considerada individualmente, caso a caso.

 

 

 

 

 

O teste de Wada deve ser considerado um meio diagnóstico seguro para a lateralização hemisférica da memória e da linguagem (Beimer NJ et al, 2015). A sua realização para esse efeito deverá ser decidida individualmente, ponderando os riscos e benefícios para o doente, numa circunstância clínica específica.

Teste de Wada e memória

Nos anos 60, o teste de Wada foi introduzido para o estudo da memória em doentes com epilepsia do lobo temporal.

Atualmente, esta técnica continua a ser usada nos doentes que vão ser submetidos a cirurgia da epilepsia (epilepsias com crises resistentes aos tratamentos farmacológicos) para avaliar a memória e prever as consequências da cirurgia. O teste de Wada permite prever a amnésia nos doentes que vão ser submetidos a resseção cirúrgica de um lobo temporal (lobectomia temporal unilateral). Se o hemisfério anestesiado (pelo teste de Wada) é o hemisfério dominante para a memória, é possivel prever os doentes que irão apresenter amnésia pós-cirúrgica. O teste de Wada permite avaliar se o lobo temporal contralateral ao que se pretende remover tem alguma capacidade residual de memória, isto é, se irá haver capacidade de aprendizagem (memória) pós-cirúrgica.
Ao simular a cirurgia, o teste de Wada continua a ser ainda hoje a técnica indicada na avaliação da memória.


Teste de Wada e linguagem

O teste de Wada permite determinar a dominância cerebral para a linguagem. Assim, se o hemisfério anestesiado é o hemisfério dominante para a linguagem, o doente perderá a linguagem de forma transitória, ficando afásico cerca de 2 a 3 minutos (o que obriga a parar o efeito do fármaco administrado).

Se o hemisfério dominante para a linguagem é o hemisfério esquerdo e se ocorrer lesão cerebral no hemisfério esquerdo, é possível que o hemisfério direito assuma algumas competências da linguagem, especialmente se a lesão foi precoce e se o individuo já tinha ativação de áreas da linguagem bilateralmente (consequente de multilinguismo, por exemplo). Isto pode tornar-se evidente pela realização do teste de Wada.

Por outro lado, o teste de Wada tem demonstrado que individuos destros não têm representação bi-hemisférica da linguagem, enquanto alguns individuos surdos podem ter dominância para a linguagem nos dois hemisférios.

O teste de Wada continua a ser o teste definitivo para a lateralização da linguagem (gold standard).

No entanto, para a avaliação da linguagem pode ser substituido por técnicas de neuroimagem funcional, menos invasivas (Ressonância Magnética funcional- RMf, Magnetoencefalografia-MEG). A RMf e a MEG são considerados métodos de mapeamento da função cortical. Estas técnicas permitem a análise de padrões de ativação cerebral durante tarefas de linguagem, em vez da avaliação da função cortical após “desativação” cerebral.

No caso de achados equívocos por RM funcional, deverá ser ponderada a realização de teste de Wada (possível utilização do propofol em vez do barbitúrico).

A RM funcional pode ser usada com segurança para a lateralização da linguagem, mas o teste de Wada permanece o teste definitivo para esse efeito, sendo ainda efetuado em casos em que a RM funcional não é conclusiva.

 

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