Funcionamento global do cérebro

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Funcionamento global do cérebro

Funcionamento global do cérebro

O funcionamento global do cérebro, e não um funcionamento “por partes” ou regiões anatómicas isoladas, está na base do funcionamento cerebral “normal” e em situações de doença, bem como no potencial de recuperação funcional após uma lesão cerebral focal.

O cérebro funciona de forma global e unitário.
Há alguns anos atrás considerava-se que uma área cerebral era responsável por determinada função. A avaliação neuropsicológica baseava-se quase exclusivamente na identificação e localização de lesões cerebrais focais.
Hoje sabe-se que os processos cognitivos e os comportamentos resultam da interdependência entre várias regiões cerebrais, ainda que uma determinada zona no cortex cerebral seja muito importante em determinada função mental (ou função cognitiva).

O funcionamento cerebral holístico

O reconhecimento do funcionamento cerebral holístico está na base da Neuropsicologia contemporânea, para a qual muito contribui Alexander Luria (1966).
Luria acreditava que o desenvolvimento das funções mentais (funções cognitivas ou corticais superiores) requeria a interação do desenvolvimento neurológico normal e de estímulos ambientais específicos de natureza cultural, histórica e social. O resultado dessa interação seria o funcionamento cortical superior, como por exemplo a linguagem, a memória, o pensamento abstrato.
Para A. Luria, uma área do cérebro pode estar implicada no “desenvolvimento” de várias funções.
Luria acreditava que a combinação de diferentes áreas cerebrais utilizadas nas funções mentais (funções cognitivas superiores) pode variar.
O funcionamento cerebral holístico (global) e a plasticidade neuronal estão na base da possibilidade de recuperação funcional após uma lesão no Sistema Nervoso Central.

Os processos cognitivos requerem uma interação funcional entre diferentes e múltiplas regiões cerebrais. Essas interações podem ser muito alteradas por uma lesão cerebral adquirida focal (por exemplo, um tumor localizado). Mas a plasticidade cerebral permite alterar e reorganizar redes neuronais, de forma a compensar as funções dessas localizações. Por exemplo, após um traumatismo cerebral com lesões temporais e alterações de memória, é possível re-estabelecer novas redes de neurónios (circuitos neuronais) para tentar recuperar a função (pelo menos parcialmente).

Conectividade funcional e Neuroimagem

O impacto da lesão cerebral nos padrões de conectividade funcional tem sido estudado por técnicas de neuroimagem modernas (por exemplo: Ressonância Magnética funcional, Tratografia – RM, Magnetoencefalografia).

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