O líquido cefalorraquidiano

Composição do líquido cefalorraquidiano

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 Composição do líquido cefalorraquidiano

O líquido cefalorraquidianoA composição do líquido cefalorraquidiano altera-se ao longo do seu trajeto, quando passa dos plexos coroides para os seus locais de saída e quando retoma para a circulação venosa.

O líquido cefalorraquidiano é uma solução salina pobre em proteínas e células sanguíneas (habitualmente não tem eritrócitos, e tem até um máximo de 4 leucócitos/uL). A análise do LCR (aspeto macroscópico – cor, por exemplo; bioquimica e citologia) tem valor diagnóstico.

A composição iónica do LCR depende do seu trajeto. É determinada pela atividade de mecanismos de transporte iónico nas membranas epiteliais dos plexos coroides. O transportador mais importante é uma bomba Na+/K+-ATPase na membrana apical, que mantem a concentração intracelular de sódio (Na+) baixa, bombeado Na+ para o LCR.

O  líquido cefalorraquidiano contem proteinas e glicose para alimentar as células cerebrais.

A concentração de proteinas no LCR é muito mais baixa que no sangue.
As concentrações proteicas do LCR aumentam no seu trajeto através dos ventrículos e espaço subaracnoideu, devido a diferenças regionais nos padrões de secreção e reabsorção ao longo da barreira hemato-encefálica.

As concentrações de ureia e glicose estão entre 60 a 70% das concentrações medidas no plasma sanguíneo.

O pH do LCR é ligeiramente menor que no plasma (7.35 versus 7.4), devido a uma pressão de CO2 ligeiramente mais elevada.

O LCR contem alguns leucócitos (glóbulos brancos) – monócitos, linfócitos B e T podem estar presentes.
Habitualmente não contem eritrócitos (glóbulos vermelhos), pelo que a sua presença sugere contaminação durante a obtenção da amostra ou traumatismo cerebral. Nestes casos pode ter um aspeto avermelhado.

A pressão do líquido cefalorraquidiano reflete a pressão intracraniana. O aumento da pressão de LCR indica doença.

Punção lombar
Punção lombar

O líquido cefalorraquidiano é geralmente obtido por punção lombar abaixo do nível do cone medular – geralmente, em L4-L5 (raramente em L3-L4 ou L5-S1).
Punção suboccipital é raramente efetuada (casos específicos).
Cuidados de assepsia são fundamentais.
O doente geralmente está na posição de decúbito lateral (deitado de lado).
Ao efetuar a punção lombar, o médico mede a pressão do líquido cefalorraquidiano com um manómetro e avalia visualmente a cor do líquido (cor, turvo ou não). Testes laboratoriais do LCR permitem obter os níveis de glicose e proteinas, a contagem celular (diferenciada) e outras substâncias/procedimentos, de acordo com a situação clínica.

A punção lombar é útil em muitas doenças do sistema nervoso, que podem estar associadas a alterações das propriedades bioquimicas e/ou celulares do LCR.

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