Neuroimagem pediátrica- anestesia ou sedação?

Neuroimagem pediátrica – Anestesia ou sedação?

Posted on Posted in Neuroimagem

Neuroimagem Pediátrica – Anestesia ou sedação?

 

Neuroimagem pediátrica- anestesia ou sedação?


A neuroimagem pediátrica (RM) requere sedação ou anestesia apropriada, de forma a assegurar a qualidade da imagem diagnóstica, com riscos mínimos para a criança. Vários fármacos têm sido utilizados mundialmente.

Riscos versus benefícios

 

O seu uso crescente, a par da realização crescente de exames de imagem, torna importante a selecção dos fármacos mais eficazes e mais inócuos para este grupo etário particular.

Atendendo ao papel fundamental da RM no diagnóstico de várias doenças cerebrais neste grupo etário, a anestesia ou sedação profunda durante a sua realização é necessária de forma crescente.
As crianças não permanecem facilmente quietas para a realização de exames de imagem porque têm medo, porque não são cooperantes por natureza e/ou porque estão doentes ou com dor.
Sedação ou anestesia é necessária para procedimentos invasivos ou prolongados.

O objectivo deve ser a obtenção de imagens de boa qualidade, com riscos mínimos de intervenção/complicações.
A sedação por vezes pode tornar-se demasiado profunda, resultando em anestesia acidental, na qual a obstrução das vias aéreas e a depressão respiratória pode não ser imediatamente reconhecida. Estes incidentes devem ser evitados por anestesistas experientes.
Além disso, podem ser administrados fármacos potentes e de acção curta.
Em termos práticos, a sedação tem sido considerada quando se usa fármacos de acção lenta, com ampla margem de segurança (administração por não-anestesistas).

O nível de consciência é difícil de definir e pode alterar-se rapidamente. Sedação implica que o doente não esteja totalmente adormecido e que possa ser acordado.

Tem havido alguma controvérsia sobre os fármacos ideais para sedação ou anestesia.

O Pediatric Sedation Research Consortium (PSRC) foi criado em 2003 para melhorar o processo de sedação pediátrica.
Alguns estudos têm analisado a eficácia e os efeitos adversos de fármacos frequentemente administrados, comparando-os entre si.

  • O pentobarbital e o propofol são frequentemente usados para sedar crianças que fazem RM pediátrica.
  • O propofol fornece sedação mais eficaz do que o pentobarbital nas crianças que efectuam RM cerebral. Embora tenha ocorrido apneia com maior frequência no caso de crianças em que foi administrado o propofol, a diferença não foi significativamente estatística quando comparada com as que receberam pentobarbital. (Mallory MD et al, PSRC, 2009)

Segundo Schulte-Uentrop L., Goepfert MS, 2010:

  • A dexmedetomidina está indicada para sedação em crianças sem risco cardíaco.
  • O propofol pode ser usado de forma eficaz para sedação ou anestesia, na presença de intensivistas pediátricos ou anestesiologistas.
  • A anestesia geral deve ser preferida no prematuro ou na criança pequena, pela sua segurança.

M. Rutherford, UK :  A anestesia não é considerada geralmente necessária nos recém-nascidos de termo.

Hidrato de cloral ou midazolam? Hare M. 2008, 2012, UK) – Qual o melhor fármaco para sedação em exames de imagem pediátrica?

O midazolam sublingual (0,3 mg/Kg) ou o hidrato de cloral (50 mg/Kg) oral podem ser usados para sedação de crianças entre os 6 meses e os 5 anos.
O midazolam sublingual e o hidrato de cloral oral têm eficácia idêntica. No entanto, existe menor profundidade de alteração do nível de consciência após sedação com o midazolam quando comparada com o hidrato de cloral, pelo que pode ser vantajoso em doentes de alto risco para evitar sedação profunda, mas também pode ser desvantajoso pela necessidade de avaliação ecocardiográfica.

Riscos associados à sedação

A maioria das crianças requerem sedação profunda para a realização de RM. São bem conhecidos os riscos sérios associados à sedação de doentes pediátricos.
A Academia Americana de Pediatria tem vindo a salientar esses riscos, reforçando a necessidade de preparação adequada e avaliação apropriada.

Existem contra-indicações para a sedação pediátrica (guidelines publicadas SIGN 2002)
– via aérea anormal, aumento da pressão intracraniana, depressão do nível de consciência, história de apneia do sono, insuficiência respiratória, insuficiência cardíaca, doença neuromuscular, obstrução intestinal, infecção aguda do trato respiratório, alergia conhecida ou reação adversa ao sedativo, criança “não colaboraste” apesar de preparação adequada, crianças maiores com problemas de comportamento, recusa por parte da criança ou pais (consentimento informado).

Resumo:
A necessidade de sedação/anestesia é específica de cada procedimento.
Procedimentos dolorosos geralmente necessitam de anestesia.
Sedação é contra-indicada em muitos casos pediátricos!
A sedação não é exata (falível em 5 a 10%), pelo que a dose máxima nunca deve ser excedida.
Tal como os anestesistas pediátricos, outros profissionais de saúde responsáveis pela administração de sedativos necessitam de treino, devem trabalhar em equipa e seguir protocolos.
O mais importante é haver uniformidade na formação formal dos praticantes e experiência, em particular em elementos práticos essenciais (manuseamento da via aérea, ressuscitação, acesso vascular, administração da medicação). (Serafini G., 2008)
Os fármacos apropriados devem ser adequados para o perfil de risco da criança individual. Equipamento de monitorização suficiente é essencial.

Leave a Reply