NEUROIMAGEM pediátrica

Neuroimagem pediátrica

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Neuroimagem pediátrica – RM cerebral e TC crânio-encefálica

RM pediátrica (RM funcional)A neuroimagem pediátrica (exames de RM cerebral e, raramente, de TC crânio-encefálica), além do período neonatal, é fundamental para a avaliação cerebral e esclarecimentos diagnósticos, em regra após suspeita clínica inicial. Algumas malformações congénitas ou patologias neurológicas requerem a avaliação de todo o neuroeixo (cérebro e medula/ráquis).

A RM funcional tem indicações específicas e, apesar da dificuldade de realização neste grupo etário, poderá ter um uso crescente.

O reconhecimento de que a neuroimagem pediátrica é distinta da neuroimagem no adulto é fulcral para a eficácia diagnóstica das técnicas disponíveis.

“ A criança não é apenas um adulto pequeno”! (Derek Harwood-Nash)

Apesar de ser óbvia esta afirmação, existe alguma tendência em “pensar” como tal e, adotar conhecimentos e práticas mais generalizadas nos adultos para esta faixa etária. Nunca é demais relembrar que a criança tem um cérebro em desenvolvimento, tem doenças específicas deste grupo etário e os exames de imagem, em particular de RM, devem ser optimizados para as crianças.

A maioria dos equipamentos de imagem são e irão continuar a ser desenhados para adultos.
Na imagiologia pediátrica é necessário adaptar e optimizar os avanços tecnológicos de acordo com este grupo etário, com escolha e otimização de sequências, de forma a minimizar artefactos.

Um dos maiores desafios na neuroimagem pediátrica é a aquisição de imagens diagnósticas de elevada qualidade, o que requere a colaboração da criança para permanecer quieta por um longo período de tempo (por vezes aproximadamente 1h).
Em regra, crianças com mais de 7 anos podem efetuar um exame de RM sem sedação.
Recém-nascidos com menos de 2 meses (idade corrigida, se prematuros) são submetidos a RM durante o sono natural induzido pela alimentação (sempre que possível amamentação), conforto e calor, muitas vezes após um período de privação do sono. Quando não é possível, submete-se a ligeira sedação oral.

A imagiologia tem um papel importante no rastreio de malformações congénitas e outras anomalias intracranianas significativas nas crianças com suspeita clínica de doença neurológica subjacente.

Aplicações pediátricas da RM funcional

A imagiologia por RM funcional pediátrica tem sido usada de forma crescente. A aceitação da sua realização em circunstâncias clínicas concretas tem permitido o seu uso.
Os seus resultados no grupo pediátrico requem a familiarização da criança e dos pais com a técnica, após explicações detalhadas.

A RM funcional é um método de imagem funcional que permite a medição indireta da actividade neuronal. É um exame não invasivo, com boa resolução temporal e elevada resolução espacial.

Atualmente, a RM funcional tem sido útil na avaliação pré-operatória de tumores cerebrais e de epilepsia refratária a tratamentos médicos (combinação de dados de RMf com EEG e Potenciais Evocados).
A RM funcional tem utilidade diagnóstica, permitindo delinear com precisão estruturas e funções de áreas cerebrais específicas, com obtenção de mapas individualizados de representação cortical – por exemplo, representação do córtex motor e do córtex somato-sensitivo; lateralização da linguagem; mapeamento das funções visuais básicas.

Existem dificuldades específicas neste grupo etário – a sedação e o desenho do paradigma (tarefa) – de acordo com a idade da criança e nível cognitivo.

O uso crescente da RM funcional é promissor para a avaliação das funções cognitivas, detecção de doenças neuropsiquiátricas (precoce) e para a avaliação de resposta a fármacos.

Tomografia Computorizada (TC)

As indicações para TC têm diminuído há mais de 10 anos, pela disponibilidade e uso crescente da imagem por RM. A TC permite a detecção precoce de calcificações intracranianas, presentes em algumas lesões cerebrais (raras). A sua principal indicação é na avaliação de traumatismos crânio-encefálicos.
A TC multicorte com reformatações tridimensionais também tem sido considerada importante no diagnóstico e avaliação pré-operatória de craniossinostoses (Vannier et al, 1989).


Neuroimagiologia e sua correlação com a Neuropatologia

A neuropatologia permanece o “gold standard” para o diagnóstico na neurologia e neurocirurgia pediátrica.

A neuropatologia é essencial para o diagnóstico de patologia tumoral, doença metabólica, patologia associada a epilepsia, diagnóstico intra-operatório e, obviamente, diagnóstico postmortem. A neuropatologia também tem evoluído, usando técnicas moleculares e morfológicas múltiplas, continuando a ser fundamental a determinação da morfologia celular básica e a utilização de marcadores imuno-histoquímicos.

Apesar do papel definitivo da neuropatologia, existem numerosos exemplos em que as características dos exames imagiológicos (RM, em particular) fornecem dados essenciais para o diagnóstico final, desde a localização anatómica lesional às suas caraterísticas de sinal.

A abordagem multidisciplinar é fundamental, tanto nas crianças como nos adultos – clínica, neuroimagem e neuropatologia.

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