imagem neonatal

Neuroimagem neonatal

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Ressonância Magnética (RM) neonatal

imagem de RM neonatal
A RM neonatal é uma técnica de imagem multiplanar e não invasiva, que fornece imagens detalhadas do cérebro do recém-nascido “normal” e patológico.
Os avanços tecnológicos na imagiologia cerebral neonatal têm sido um contributo importante para a compreensão das doenças cerebrais neonatais.

A combinação de diferentes modalidades de imagem (ecografia transfontanelar e imagem de ressonância magnética) tem permitido uma melhor acuidade diagnóstica, permitindo caraterizar a natureza e patogénese da lesão cereral perinatal e, estimar o resultado a longo prazo.

O potencial clínico da RM no recém-nascido foi percebido há mais de 3 décadas, atendendo à melhor imagem (contraste de tecidos) obtida por esta técnica quando comparada com a Tomografia Computorizada (TC), com notável superioridade na diferenciação da substância branca e cinzenta. As dificuldades de acesso têm sido gradualmente ultrapassadas, e a RM tornou-se a modalidade imagiológica definitiva para o cérebro recém-nascido.

A imagem por Ressonância Magnética (RM) do recém-nascido permite obter um melhor detalhe anatómico cerebral e melhor caraterização de lesões cerebrais.

A RM permite a avaliação qualitativa e quantitativa do cérebro em desenvolvimento, incluindo a mielinização. Como tem sido abordado, a maturação cerebral envolve uma sequência complexa de alterações morfológicas, funcionais e organizacionais, que ocorrem de forma organizada e previsível.

O detalhe anatómico/estrutural das imagens obtidas no cérebro é muito superior quando comparada com a visualização cerebral por ecografia fontanelar e TC.

A RM permite o diagnóstico de lesões cerebrais no recém-nascido (prematuro ou de termo) precocemente e com maior acuidade diagnóstica (por exemplo, hemorragia intracraniana, lesões isquémicas precoces de Encefalopatia Hipóxico-isquémica, doenças de migração neuronal).

A interpretação das imagens de RM cerebral não é fácil. Requer uma história clínica completa e experiência na interpretação de RM (aspectos considerados “normais” e “anormais”).

A história perinatal pode ser preditiva do padrão de lesões cerebrais, que por sua vez tem valor preditivo do neurodesenvolvimento.

A imagiologia por RM cerebral no recém-nascido deve ter em conta aspectos particulares, para a obtenção de imagens com qualidade diagnóstica.

O cérebro imaturo tem maior quantidade de água do que o cérebro do adulto , o que tem de ser considerado em sequências habitualmente efetuadas (T1 TSE e T2 TSE), variando entre o recém-nascido prematuro e o recém-nascido de termo (entre as 23 semanas e o termo), e desde o nascimento (idade de termo) até ao 1º ano de vida. Alterações de T1 e T2 também ocorrem em associação com o processo de mielinização, que pode ser bem visualizado de forma sequencial por imagens de RM. A análise minuciosa das imagens permite detetar áreas de atraso de mielinização, que não são raras e implicam seguimento clínico-imagiológico. A sequência FLAIR (Fluid attenuated inversion recovery), considerada fulcral na imagiologia cerebral do adulto, também tem utilidade diagnóstica no cérebro neonatal.

Existem raras indicações clínicas para a administração endovenosa de produto de contraste.

A imagiologia cerebral muito precoce, durante a 1ª semana (primeiros dias de apresentação clínica), pode ser útil para tomar decisões em recém-nascidos ventilados, mas as anomalias cerebrais podem ser subtis usando apenas as técnicas convencionais (RM estrutural ou anatómica). Deve incluir sempre a sequência de difusão.

A sequência de difusão é muito útil na identificação precoce de tecido isquémico no cérebro neonatal (isto é, tecido cerebral alterado por hipoxemia/hipoperfusão, que precede o enfarte cerebral). No entanto, pode subestimar a extensão da lesão final, particularmente nas lesões dos gânglios da base e tálamo (localização frequente de lesões em casos de Encefalopatia Hipóxico-Isquémica).

As lesões evoluem rapidamente.

As lesões adquiridas no período perinatal são mais evidentes 1 a 2 semanas após o parto.

A imagiologia sequencial é extremamente importante. Isto é, o recém-nascido que em RM inicial apresenta lesão cerebral perinatal, deve (sempre que possível) fazer exames de RM cerebral seriados ao longo do crescimento da criança. Isto permite avaliar a resposta do cérebro individual à lesão cerebral, além de avaliar o desenvolvimento cerebral. Em centros de investigação, a imagiologia sequencial por RM é muito utilizada para avaliação sequencial do neurodesenvolvimento, a par da avaliação clínica.

Pode mesmo ser usada como “marcador” para ensaios clínicos de intervenção, com o objectivo de reduzir a lesão e melhorar o neurodesenvolvimento.

A Tomografia Computorizada (TC) usa radiação ionizante, e o seu papel é atualmente muito limitado na avaliação de doença neurológica do recém-nascido. A TC deverá ser usada apenas quando existe suspeita clínica de lesão cerebral muito grave e não há disponibilidade de RM.

Nota: A RM não está ainda geralmente disponível em unidades de cuidados intensivos neonatais, pelo que o risco da sua transferência para uma outra unidade deve ser considerado em situações clinicamente instáveis (mesmo que acompanhada por médico). A mobilização do recém-nascido requer muita atenção (riscos de deslocamento de cateteres, tubos endotraqueais ou drenos torácicos), sendo geralmente necessária monitorização dos parâmetros vitais e manutenção da temperatura durante a realização do exame. Outro aspeto a considerar é a potencial necessidade de sedação. Exames de RM podem ser efetuados em recém-nascidos sem sedação, desde que a alimentação/amamentação prévia seja suficientemente tranquilizadora. Para a realização de exames de RM mais longos, aumenta a necessidade de sedação, sendo essencial a existência de monitorização durante a realização do exame.

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