Ecografia transfontanelar

Ecografia transfontanelar

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Ecografia transfontanelar – utilidade e vantagens da técnica

ectA ecografia transfontanelar é um exame de imagem prático, inócuo e de baixo custo, com bastante utilidade clínica para a avaliação de recém-nascidos e crianças (pequenas). Permite a visualização anatómica das estruturas intracranianas, diagnóstico inicial e seguimento de lesões cerebrais.
Os avanços tecnológicos (em particular a possibilidade de avaliação cerebral por RM) vieram permitir melhor a acuidade diagnóstica, mas a ecografia transfontanelar continua a ser um exame importante – diagnóstico inicial ou avaliação regular (seguimento clínico).

O potencial valor da ecografia transfontanelar foi reconhecido logo após a sua introdução, no fim dos anos 70. Foi o primeiro exame a permitir visualizar a anatomia intracraniana no recém-nascido e a permitir diagnosticar lesões cerebrais como hemorragia intraventricular, dilatação ventricular e enfarte cerebral.

Melhorias tecnológicas neste exame, com o desenvolvimento da análise espetral, cor e Doppler, tornaram possível uma melhor visualização da anatomia estrutural cerebral e a avaliação da anatomia vascular cerebral.

A ecografia craniana é geralmente efetuada na fontanela anterior, que atua como uma janela acústica. Logo após o nascimento, a fontanela anterior pode ser muito pequena, tendo em conta a moldagem das suturas, o que pode limitar a visualização da anatomia intracraniana. A fontanela anterior permanece aberta no primeiro ano de vida (12 meses), começando a fechar aproximadamente aos 9 meses. No entanto, à medida que a criança cresce os tecidos do couro cabeludo tornam-se mais espessos, e a visualização imagiológica do cérebro torna-se mais difícil.
A fontanela posterior também pode ser usada como janela acústica, particularmente para observar a substância branca periventricular posterior e os cornos occipitais dos ventrículos laterais.
Também foram referidas vantagens do exame através da fontanela da mastóide para visualização do cerebelo e tronco cerebral, estruturas anatómicas observadas com dificuldade por esta técnica (Di Salvo 2001, Taylor 1998). O exame efetuado através do osso temporal escamoso fino pode ser útil em certas situações clínicas, particularmente para a avaliação por Doppler da artéria cerebral média e dos ramos do polígono de Willis. As abordagens ecográficas por via transtemporal e mastoidea também fornecem uma visualização axial do cérebro, “comparável” às imagens de Tomografia Computorizada, e permitem uma melhor visualização das regiões periféricas dos lobos parietais quando comparada com a visualização “clássica” através da fontanela anterior.

fontanela anteriorNa prática clínica, a abordagem mais clássica e de rotina continua a ser pela fontanela anterior, mas uma combinação de abordagens é usada para permitir uma melhor visualização das estruturas e/ou melhor apreciação diagnóstica (inicial ou de seguimento). Usando qualquer janela acústica (por exemplo, apenas a fontanela anterior), também é importante a angulação da(s) sonda(s) para melhor visualização anatómica e patológica, se for o caso. (possibilidade de visualizações coronais, sagitais/para-sagitais).

A ecografia transfontanelar continua a ser um exame importante na clínica, atendendo às suas principais caraterísticas: inocuidade (não usa radiação ionizante, não necessita de medicação prévia à realização do exame, não requere administração de produtos de contraste); simplicidade (aparelho pequeno e móvel, podendo ser utilizado à cabeceira da criança e, em particular em reanimação) e baixo custo.

É um exame prático e importante no diagnóstico inicial e caraterização de lesões cerebrais no recém-nascido, como por exemplo, hemorragia ventricular, dilatação ventricular, leucomalácia, malformações cerebrais.

Equipamento:

Um ecógrafo para uso numa unidade neonatal deve ser facilmente manobrável, ter diferentes sondas para visualizar quer o cérebro de termo quer o prematuro extremo, e ter facilidades para documentar as imagens. Deve ter disponíveis escalas de cinza e Doppler.

A escolha da frequência das sondas também é relevante, sendo um compromisso entre a resolução da imagem e a penetração (visualização de estruturas anatómicas mais superficiais ou mais profundas). Sondas com maior frequência permitem obter melhor resolução mas pior penetração. A avaliação ecográfica pode combinar sondas de diferente frequência para obtenção de dados complementares (melhoria na resolução da imagem e também do FOV – “field of view”). Geralmente sondas de 7 a 10 MHz são apropriadas para avaliação de recém-nascidos muito prematuros, enquanto de 5 MHz parecem mais adequadas para recém-nascidos de termo.

Conclusão:
A ecografia transfontanelar, mesmo em unidades neonatais com capacidade de realização de RM, continua a ter um papel relevante no diagnóstico inicial e no acompanhamento de recém-nascidos com patologia cerebral – facilidade de avaliação e documentação imagiológica regular e prática.

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