avaliação neurológica do recém-nascido

Avaliação neurológica do recém-nascido (I)

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Avaliação neurológica do recém-nascido: alguns aspectos práticos

avaliação neurológica do recém-nascido

A avaliação neurológica de um recém-nascido deve ser efetuada por um médico com experiência na avaliação clínica deste grupo etário particular, não obedecendo a uma ordem específica. O exame neurológico geralmente evolui da observação para a manipulação, sendo exigida progressivamente mais actividade e resposta por parte do recém-nascido.

Muitas vezes é difícil efetuar a avaliação clínica num momento favorável, pelo que deve ser registado o estado clínico da criança nessa avaliação – terá utilidade na valorização da avaliação e deverá ser considerado em avaliações seguintes, permitindo adequada interpretação.

A altura mais favorável para o exame clínico é quando o bébé está tranquilo, mas alerta, por exemplo quando acorda espontaneamente de um sono de 2 horas após a amamentação.

A compreensão básica da maturação do sistema nervoso permite a correta interpretação da avaliação do sistema nervoso do recém-nascido. A avaliação neurológica do recém-nascido deve ter em conta:

Estado de alerta e sono:

A avaliação do estado de alerta geralmente ocorre antes da realização do exame neurológico, pois só assim é possível a sua realização num momento oportuno.
O padrão de sono e vigília deve ser notado. Em recém-nascidos de termo, inicialmente, os períodos de sono duram cerca de 50 minutos e os períodos de vigília duram cerca de 10 minutos. Estes períodos aumentam gradualmente no período neonatal (2 horas de sono e 20-30 minutos de vigília), continuando a alterar-se durante toda a vida.

Avaliação de hiperexcitabilidade e letargia:

Existem casos de hiperexcitabilidade anormal, com ausência de períodos de repouso e presença de movimentos trémulos, choro agudo e registo de sono inadequado. Pelo contrário, o bébé pode ser considerado anormalmente letárgico e, se assim permanecer, é importante notar se há ou não resposta a estímulos vigorosos.

Avaliação do crânio, da face, dos nervos cranianos – exemplo: avaliação das suturas:

A palpação de cada sutura craniana faz parte da avaliação neurológica do recém-nascido. A distensão ou sobreposição de suturas é frequentemente mais informativa do que a medição isolada do perímetro cefálico.

Aspetos a considerar na avaliação da função neurossensorial, actividade motora espontânea e postura: capacidade de fixar o olhar e seguir, sinais oculares, resposta à voz, interacção social, padrão do choro, excitabilidade, convulsões, actividade motora espontânea, abdução espontânea do polegar.

Padrão de choro:

O padrão de choro da criança pode fornecer chaves diagnósticas. Crises de choro agudo de curta duração são caraterísticas da meningite ou asfixia ao nascimento.
As caraterísticas acústicas do choro têm-se mostrado variáveis de acordo com o desenvolvimento/maturação do sistema nervoso central.

Comunicação envolvendo duas modalidades de perceção: a audição e a visão (fixar e seguir com o olhar, resposta ao som, consolabilidade)

  • “Fixar e seguir” (olhar)

É fácil testar o “fixar e seguir” do olhar num recém-nascido de termo saudável. Quando um bébé é colocado a uma distância de cerca de 30 cm, um olhar intenso parece ser fixado no observador. Este contacto ocular (olho da criança e olho do examinador, por exemplo) está geralmente presente logo após o nascimento.
No entanto, quando o bébé está numa incubadora, a melhor forma de obter uma resposta visual é usando o “bull´s eye”. (Daum et al 1980). O uso de uma peça redonda de cartão com círculos concêntricos a preto e branco, que é colocada aproximadamente a 20-30 cm da face do bébé. Quando o bébé fixou o seu olhar neste alvo, este é movido para um lado e depois para outro. Quando a resposta é normal, os olhos e depois a cabeça seguem os movimentos do cartão. Este teste é fácil de executar e pode ser efetuado por diferentes observadores. Usando esta técnica, a fixação e o seguimento visual podem ser detectadas a partir das 34 semanas de gestação.
É um dos melhores testes neurológicos dos recém-nascidos numa idade gestacional precoce.

  • Resposta ao som

Após o nascimento, a resposta ao som pode ser vista pela expressão facial (esgar facial) ou o movimento da cabeça pode ser provocado por uma voz, uma campainha ou mesmo um estimulador acústico.
Numa unidade de cuidados intensivos neonatais, pode ser difícil de avaliar.

  • Consolabilidade

A consolabilidade, referida como resposta de choro do bébé a uma voz ou tranquilizador (por exemplo, estímulos táteis tranquilizadores), tem sido muito usada como um teste de comunicação.

Na primeira semana de vida de um recém-nascido de termo devem ser efetuadas avaliações repetidas, de forma a obter melhores indicadores clínicos. A existência de um perfil clínico que se altera sugere um insulto durante o parto. Um perfil clínico que não se altera é a favor de um insulto pré-natal.

Adaptação à manipulação
A manipulação pode ter efeitos positivos na participação ativa do bébé em situação de teste/examinação. Por exemplo, na avaliação do tónus muscular passivo e ativo, o contacto permanente entre o corpo do bébé e as mãos do examinador reforça a comunicação já previamente existente entre ambos pela voz, olhar e imitar.
O manuseamento suave e contínuo do bébé ajuda a manter um “diálogo” e permite obter as melhores respostas do bébé.
No entanto, efeitos adversos devem ser evitados. A desestabilização do bébé pode originar alterações cardio-respiratórias, alterações de cor, respostas viscerais. (relacionado com os sistema nervoso autónomo). De acordo com o grau de desestabilização do bébé, pode ser necessário esperar algum tempo ou mesmo parar o procedimento.

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