o sono e a dor

O sono e a dor

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O sono e a dor : relação interdependente

o sono e a dorA relação interdependente entre o sono e a dor parece explicar a interferência entre estas duas condições e suas implicações. Existem vários aspetos da regulação do sono que são relevantes para lidar com a dor pediátrica. Uma melhor compreensão de múltiplas ligações entre o sono e a dor,  poderá permitir uma melhor atuação perante a dor pediátrica.

A relação interdependente entre o sono e a dor foi inicialmente proposta por Lewin e Dahl em 1999, quando verificaram que não só a dor interferia com a quantidade e qualidade de sono na criança, mas também parecia que o sono insuficiente causava alterações ao longo do dia que tornavam a criança mais sensível a experimentar dor e outros sintomas somáticos. Também sugeriram que emoções como o medo e ansiedade tinham impacto negativo na dor e no sono, enquanto sensações de segurança e controlo têm muitas vezes efeito positivo.

Além disso, o sono adequado parece promover alterações fisiológicas (reparo tecidual) e psicológicas (por exemplo, cessação temporária da perceção de sinais dolorosos) importantes para a recuperação de processos de doença, lesões e dor.

Por isso, abordagens terapêuticas para a dor e problemas de sono pediátrico devem considerar esta relação sempre que possível – terapêuticas farmacológicas e intervenções cognitivo-comportamentais.

As alterações do sono e as experiências dolorosas podem contribuir para um pior neurodesenvolvimento, especialmente em recém-nascidos com muito baixo peso ao nascimento.
Existem ainda poucos estudos sobre a interrelação destas duas condições.
Estudos em modelos animais indicam que a privação de sono pode causar uma redução de cerca de 60% na produção de neurónios.

De que forma a dor pode aumentar alterações no ciclo sono-vígilia?
Se o ciclo for alterado, pode a perceção da dor pelo bébé ser também alterada?

Em determinadas circunstâncias, como por exemplo, exposição contínua a dor por intubação traqueal, que por si só altera o ciclo sono-vigília, pode também ocorrer supressão ou privação do sono, com possíveis efeitos no desenvolvimento biológico (bioquímico) e/ou comportamental.

Os recém-nascidos prematuros “extremos” que recebem suporte ventilatório por morbilidades significativas apresentam um atraso importante na maturação da arquitetura do sono, de acordo com registos polissonográficos (com aumento do “sono ativo”).

Programas de intervenção em unidades de cuidados intensivos neonatais(UCIN):

Muitos programas e técnicas terapêuticas têm sido criados e adaptados mundialmente para minimizar os impactos negativos dos cuidados intensivos nos recém-nascidos prematuros.
O objetivo é proporcionar estabilidade do recém-nascido e fortalecer os laços familiares. Alguns programas baseiam-se numa “saturação sensorial”, isto é, estimulação multisensorial (estimulação tátil, auditiva, vestibular, olfativa, gustative e visual) como um “analgésico” para o recém-nascido prematuro.

“Newborn Individualized Development Care and Assessments (NIDCAP)” consiste numa intervenção multidisciplinar individualizada que tenta minimizar os impactos das experiências sensoriais nocivas no cérebro imaturo, nas UCIN, promovendo uma estimulação sensorial adequada para a maturação neurológica do recém-nascido. O objetivo é prevenir atrasos no neurodesenvolvimento. Promove momentos de repouso nos quais os bébés podem dormer tranquilamente, com redução da fragmentação do sono, aumentando o desenvolvimento do sono noturno e promovendo a organização circadiana.

“Kangaroo mother care” foi um programa de intervenção inicialmente desenhado para o cuidado de recém-nascidos de muito baixo peso ao nascimento em países subdesenvolvidos, com elevada morbilidade (infeção) e mortalidade neonatal.

Uma versão modificada do original “Kangaroo mother care”, “Intermittent skin-to-skin care (SSC)”, tem sido agora adotada nos países desenvolvidos. Destina-se a recém-nascidos com necessidade de cuidados neonatais, incluindo os prematuros “de risco” e aqueles que necessitam de suporte ventilatório. Tem sido registado um desenvolvimento neurofisiológico acelarado, um comportamento de sono mais organizado, maior duração de sono tranquilo e, diminuição da perceção da dor durante os procedimentos.

 

 

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