a dor no feto e recém-nascido

A dor no feto e recém-nascido

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A dor no feto e recém-nascido

a dor no feto e recém-nascidoA dor no feto e no recém-nascido são reconhecidas. A dor inclui a sensação, o sofrimento e a aprendizagem (memória). O feto e o recém-nascido percebem e respondem à dor.

A compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da dor no feto e no recém-nascido evoluiu ao longo de décadas.

A dor pode ser definida como uma experiência sensitiva ou emocional desagradável, associada a lesão tecidual potencial ou estabelecida, pelo que a incapacidade de comunicar verbalmente ou de outra forma não nega a possibilidade de que um indivíduo está com dor e necessita de tratamento para o seu alívio. (Amand et al, 2006). A resposta é geralmente baseada na perceção individual do controlo e previsibilidade do seu ambiente, geralmente caraterizada por alterações em quatro domínios primários – endócrino, autonómico, imunológico e comportamental.

Há evidência de que o feto (aproximadamente na segunda metade da gravidez) e o recém-nascido são capazes de sentir dor.

A dor é avaliada indiretamente pelo aumento da frequência cardíaca, aumento do cortisol sanguíneo e da beta-endorfina em resposta à ativação do sistema nervoso autónomo.

A dor no recém-nascido é um fenómeno complexo, envolvendo diferentes fontes e tipos de dor, pelo que envolvem várias combinações de recetores e mecanismos no sistema nervoso em desenvolvimento.

A dor pode ser aguda, estabelecida ou crónica.
A dor pode ser classificada como fisiológica, inflamatória, neuropática ou visceral. Em cada uma das categorias, é considerada a sua intensidade.

A dor fetal pode ser crónica, por exemplo em casos de obstrução ou perforação intestinal, lesões quísticas como grandes quistos do ovário que pode levar a torção ou a aumento da pressão intra-abdominal.
A dor no recém-nascido é geralmente aguda, causado por estímulos nocivos conhecidos (como por exemplo, trauma de tecidos) e tem uma duração relativamente curta.

A perceção da dor, que surge precocemente na vida humana, pode ser considerada como um sistema útil de sinalização de lesão nos tecidos corporais. A sua percepção é multidimensional. A perceção da dor varia em qualidade, intensidade, duração e localização, de acordo com as características de cada indivíduo. Alguns fatores como a idade, experiência dolorosa anterior, aprendizagem, uso de analgésicos e sedativos e condições da família, podem modificar a expressão de dor, dificultando a avaliação da dor (qualidade e intensidade) nos recém-nascidos prematuros e nos recém-nascidos de termo saudáveis.

Um dos argumentos para a afirmação de que o recém-nascido não pode perceber a dor é a imaturidade cortical. No entanto, a mielinização das fibras nervosas ocorre aproximadamente às 13 semanas e a formação de sinapses neuronais nos feixes talâmicos ocorre aproximadamente às 24 semanas (inferindo-se que as fibras específicas da dor talâmica estão incluídas) e por esta altura o neocórtex atingiu seu tamanho máximo.

A experiência dolorosa pode causar alterações metabólicas precoces, aumento nos níveis hormonais, alterações no equilíbrio (já delicado) entre o sono, a vigília e o fluxo sanguíneo.

Recém-nascidos prematuros em unidades de cuidados intensivos:

Procedimentos invasivos e stressantes nas unidades de cuidados intensivos neonatais podem causar um comportamento aversivo, que pode levar o recém-nascido a associar qualquer toque a dor, desencadeando respostas, tais como o choro e o “recolher” das mãos e das pernas.
Os procedimentos médicos e de enfermagem em prematuros que desencadeiam dor e perturbam o ciclo sono/vigilia são prejudiciais ao neurodesenvolvimento. Por isso, é necessário o alívio da dor.

Avaliação da dor

Partindo do princípio que o recém-nascido tem perceção da dor (o 5º sinal vital), não sendo apenas uma sensação física, mas um processo envolvendo sistemas cognitivos e emocionais, é de esperar que seja possível fazer uma avaliação da dor (medição e interpretação).
Têm sido desenvolvidas escalas de avaliação da dor em recém-nascidos. Têm como objetivo obter uma medição quantitativa da mesma, atendendo a indicadores biofísicos (frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão intracraniana, sudorese palmar, níveis hormonais, tónus vagal, parâmetros de saturação de oxigênio e pressão arterial) e comportamentais (expressão facial, vocalização do choro). Podem ainda ter em conta descrições verbais ou escritas da dor e factos associados.
Estas escalas são particularmente importantes em crianças (normais ou com atrasos de desenvolvimento) pela subjetividade inerente da dor e da sua medição. As crianças têm especial dificuldade em indicar e descrever eventos dolorosos, e isto assume particular importância em caso de doença.

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