estimulação sensorial do prematuro em UCINeonatais

Estimulação sensorial do prematuro

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Estimulação sensorial do prematuro

estimulação sensorial do prematuro em UCINeonataisA estimulação sensorial do prematuro é relevante e fácil de compreender quando encarado como um “feto extra-uterino” e, por isso, privado da total estimulação sensorial habitual no ambiente intra-uterino (quando comparado com um recém-nascido de termo).

Numa gestação normal, a maioria do desenvolvimento neurosensorial ocorre nas últimas 16 a 20 semanas.

Os processos neurológicos não estão acelarados no recém-nascido prematuro.
O nascimento prematuro acelera a maturação da função renal, gastrointestinal, pulmonar e cardiovascular, mas não altera a altura e sequência do neurodesenvolvimento.

Alguns programas de intervenção de desenvolvimento precoce têm sido aplicados nas unidades hospitalares logo após o nascimento (unidades de cuidados intensivos neonatais) e também posteriormente. Têm como objetivo facilitar o recém-nascido prematuro a lidar com as exigencies ambientais e também proporcionar experiências sensoriais multi-modais (pela sua exposição precoce). O seu sucesso depende do compromisso de profissionais de saúde, e especialmente da mãe do bébé e da família. O resultado expectável é uma melhoria no desenvolvimento global do recém-nascido, do ponto de vista físico, cognitivo, emocional e social.
Existe alguma controvérsia sobre os programas específicos aplicados nos recém-nascidos de risco elevado (prematuros com muito baixo peso ao nascimento)- em relação ao tipo, modo e altura estabelecida da estimulação (natureza complexa e heterogénea das intervenções).
Por outro lado, o recém-nascido prematuro é exposto a estimulos sensoriais não habituais nas unidades de cuidados intensivos, que podem colocar em risco o cérebro em desenvolvimento. Já têm sido propostas alterações ao próprio “ambiente” nestas unidades (com atenção ao ruido, por exemplo), pela associação a alterações do neurodesenvolvimento.

Breve abordagem das principais modalidades sensoriais estimuladas

Estimulação tátil

Os recém-nascidos prematuros são privados precocemente do constante estímulo tátil do líquido amniótico. Nas unidades de cuidados intensivos são expostos a estímulos táteis no seu manuseamento por procedimentos médicos e de enfermagem de rotina, além do toque materno. Esses procedimentos têm de ser cautelosos. Já foram verificados efeitos adversos dos mesmos, como por exemplo, hipoxia, bradicardia, interrupções do sono, agitação dos prematuros.
Está assim indicada uma manipulação ou toque suave e mínimo.
Os ciclos do sono e estados de alerta/vigilia do recém-nascido são essenciais para o normal neurodesenvolvimento. Os procedimentos médicos e de enfermagem não devem provocar dor. Pelo contrario, defende-se cuidados que proporcionem redução quer na reatividade à dor, quer na imediata regulação da dor.
Os recém-nascidos devem ser envolvidos com “faixas” (específicas para os bébés) no período em que não contactam com a mãe e durante o sono. Estimulação tátil adversa deve ser evitada durante o sono do bébé. O toque suave e a massagem devem ser proporcionadas quando está em estado alerta e acordado.

Estimulação propriocetiva/cinestésica

Os movimentos espontâneos das extremidades estão muito mais diminuidos no recém-nascido prematuro com muito baixo peso, devido a hipotonia. A hipotonia dos prematuros torna difícil o uso das extremidades na linha média, a sustentação numa postura de flexão simétrica e os movimentos.
Os movimentos dos recém-nascidos devem ser combinados com uma compressão longitudinal suave das extremidades para aumentar o ganho de peso, a largura óssea e a densidade mineral óssea ( Moyer-Mileur et al. 2000).
Devem ser colocados em posição supina durante o sono (isto é, deitado de costas, de face para cima) e, em pronação (de face para baixo) ou deitado lateralmente quando estiver alerta e acordado, para aumentar o comportamento neuro-motor.

Estimulação olfativa-gustativa

A deglutição do liquido amniótico pelo feto proporciona experiências quimiossensitivas precoces.  No período pós-natal, estas experiências quimiossensitivas combinadas com o reflexo de sucção facilitam o comportamento de procura de alimentos (nutrição).
Os prematuros não são capazes de coordenar a sucção, a deglutição e a respiração, pelo que irão depender de métodos de alimentação alternativos. Estes métodos privam o prematuro de experiências sensoriais normais do gosto e do olfato. Além disso, cheiros desagradáveis ou nocivos de desinfetantes hospitalares, soluções e componentes bacterianos podem ter um impacto negativo em sensações já privadas (como o cheiro e o paladar).
O tempo de duração da alimentação por métodos alternativos tem impacto negativo no comportamento de sucção dos prematuros.
Durante a alimentação por sonda e transição para o aleitamento materno, a sucção não nutritiva deve ser combinada com estimulação oro-motora para permitir uma transição harmoniosa e precoce. O aleitamento materno deve ser continuado pelo menos durante 6 meses.

Estimulação auditiva

A estimulação auditiva nas unidades de cuidados intensivos deve ser cautelosa (de acordo com recomendações de estimulação sonora segura).
Tem sido recomendada uma avaliação de ruído regular, limitando o som a 50 dB. Isso possibilita o aumento de interação da mãe com o bébé, através da voz junto ao leito. Não está recomendado o uso de auriculares ou outros equipamentos ligados aos ouvidos do recém-nascido para transmissão sonora, nem o uso não vigiado ou de rotina de música no ambiente do recém-nascido de alto risco.

Estimulação visual

O sistema visual é a última modalidade sensorial a desenvolver-se, com maturação da via visual apenas às 39-40 semanas de gestação (parto de termo). A experiência visual para um desenvolvimento saudável requere a luz ambiente (e não luz direta); e 2 a 3 meses depois, a cor.
Os prematuros devem ser expostos apenas a iluminações cíclicas e ambientais. Não devem ser expostos a luz brilhante contínua e direta até às 40 semanas de idade corrigida.

 

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