recém-nascido prematuro

Recém-nascido prematuro

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Recém-nascido prematuro

recém-nascido prematuroO recém-nascido prematuro é alvo de preocupação imediata dos pais e familiares. A preocupação é relevante nos recém-nascidos com < 1500 g e < de 32 semanas de idade gestacional, com maior probabilidade de patologia cerebral.

O nascimento de recém-nascidos prematuros (antes das 37 semanas completas de gestação) tem aumentado em todo o mundo.
Acredita-se que seja devido ao aumento de nascimento de bébés em mães com mais de 35 anos de idade, aumento do uso de tratamentos de fertilidade e devido a um conjunto de fatores ambientais (incluindo tabagismo).

O nascimento prematuro tem um impacto negativo na integridade estrutural e functional do cérebro.

O recém-nascido prematuro, considerado um “feto extra-uterino”, está privado de experiências sensoriais multi-modais precoces na vida intra-uterina.

Um problema subjacente frequente é a hipoxia perinatal induzida pelo desenvolvimento de pulmões imaturos, que origina vulnerabilidade das células do sistema nervosa (neurónios e glia). A hipoxia perinatal altera o desenvolvimento cerebral através de um atraso na maturação dos tipos celulares afetados, incluindo astroglia, oligodendroglia e neurónios.

No entanto, os avanços médicos, tecnológicos e farmacológicos têm aumentado a taxa de sobrevivência destes recém-nascidos, particularmente aqueles que nascem com muito baixo peso ao nascimento (isto é, < 1500 g e < de 32 semanas de idade gestacional) – “prematuros de risco”. O baixo peso ao nascimento e a idade gestacional precoce são preditivos de patologia cerebral.

O aumento de taxa de sobrevivência de recém-nascidos de “risco” (com muito baixo peso ao nascimento) é acompanhado por um aumento da morbilidade, o que representa um aumento de incapacidades, mesmo na ausência de lesões cerebrais focais.

Prematuridade e lesão cerebral no recém-nascido 

Os recém-nascidos prematurecém-nascido prematuroros têm sobrevivido com menores incapacidades cognitivas e motoras.

Antigamente, o cérebro prematuro apresentava alto risco de lesões destrutivas.

Atualmente, os prematuros têm lesões menos graves, associadas a respostas de reparação e regeneração aberrante, que resultam em crescimento cerebral reduzido.

Estudos de neuroimagem cerebral (Ressonância Magnética) têm mostrado redução dos volumes de substância branca e cinzenta cerebral em prematuros, quando comparados com controlos de termo, além de alterações que indicam compromisso da organização microestrutural e integridade da substância branca (alterações que se correlacionam com défices cognitivos e neurológicos).

As anomalias cerebrais associadas com a prematuridade mais frequentes são: lesão difusa da substância branca, juntamente com anomalias na substância cinzenta e hipocampos. Pelo contrario, nos ultimos anos, lesões necróticas focais características da leucomalacia periventricular quística são raramente observadas nos prematuros.

Por exemplo, recém-nascidos com muito baixo peso ao nascimento apresentam tipicamente sequelas neurológicas incluindo anomalias da substância branca e cinzenta cerebral, ventriculomegalia e diminuição dos volumes dos gânglios da base. O seguimento destas crianças tem revelado dificuldades cognitivas a longo prazo, particularmente aquelas que envolvem a linguagem e funções executivas, e doenças psiquiátricas incluindo o espetro de autismo e doenças de ansiedade.

Todos os recém-nascidos prematuros beneficiam de adequada estimulação sensorial. Habitualmente, inicia-se nas unidades de cuidados intensivos neonatais, posteriormente em “casa” (participação ativa dos pais e familiares) e na sociedade.

É importante salientar que muitas sequelas cognitivas e neurológicas melhoram consideravelmente com o tempo, quando são fornecidos recursos “extra” (influência de estimulação ambiental) – por exemplo, educação especial, terapia ocupacional, fisioterapia e reabilitação neuropsicológica. Nessas condições, muitas crianças com muito baixo peso ao nascimento não apresentam diferenças consideráveis quando comparadas com recém-nascidos de termo quando atingem a adolescência.

Infelizmente, há poucos indicadores prognósticos da probabilidade de uma criança individual vir a sofrer de consequências neurológicas e neuropsicológicas.

Os estudos de neuroimagem têm sugerido que melhorias cognitivas podem ser alcançadas, por criação de padrões não habituais de conectividade neuronal, possivelmente devido a um período prolongado de plasticidade neuronal.

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