estimulação sonora do feto

Estimulação sonora do feto

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Estimulação sonora do feto

Recomendações

estimulação sonora do feto

A estimulação sonora do feto em desenvolvimento é uma estimulação sensorial importante mas deve ser cautelosa, porque pode ter quer efeito benéfico quer efeito prejudicial. A exposição a som intenso e sustentado tem implicações sérias para os vasos e cérebro do feto em desenvolvimento e para o recém-nascido prematuro, com consequências fisiológicas e comportamentais.

 

O feto em desenvolvimento tem vantagem sobre o recém-nascido prematuro, porque os tecidos do abdómen materno e útero “filtram” os sons de maior frequência e atenuam os níveis de decibéis tanto quanto 20 a 35 dB.

A frequência normal de um som que pode ser ouvido por um adulto está entre 20 e 20000 Hertz (Hz).

No entanto, o feto “mais precoce” (até 27 semanas de idade gestacional) ouve essencialmente sons de frequências mais baixas (abaixo de 500 Hz) e provavelmente não pode detetar frequências acima de 500 Hz até às 29 semanas, atendendo ao “filtro sonoro” dos tecidos maternos.

O “filtro” sonoro normal do útero pode ser seriamente comprometido por som intenso e sustentado, apresentado quer a baixas ou altas frequências e níveis de decibéis elevados.

Por exemplo, uma estimulação vibro-acústica (uma combinação de sons de baixa frequência e vibração) aplicada diretamente no abdómen materno pode originar uma resposta atípica ou aumentar os movimentos e a frequência cardíaca fetal.

Vários estudos têm demostrado que a exposição a sons intensos e sustentados fora da “faixa” de frequência e decibéis (dB) normalmente ouvidos pelo feto é prejudicial e pode estar relacionada com défices de audição, anomalias cromossómicas, níveis de cortisol elevados, níveis de lactogénio diminuídos, e comportamento social anormal após o nascimento. Os défices de audição identificados nestes recem-nascidos têm sido geralmente localizados no ouvido interno (células específicas da cóclea) – a região do ouvido mais afetada por sons de baixa frequência (<250 Hz).

Apesar do abdomen materno e do útero filtrarem os sons de frequência mais elevada e de menores níveis decíbeis, os recem-nascidos prematuros (mesmo em Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais) não têm essa proteção. Tal como no feto, níveis sonoros excessivos podem ter efeitos sérios no desenvolvimento dos prematuros, podendo originar sequelas para toda a vida.

Recomendações de exposição a sons para fetos (Sound Study Group’s recommendations, Graven S.N.):

  • a grávida deve evitar exposição prolongada a sons de baixa frequência (<250 Hz), > 65 dB, durante toda a grvidez;
  • equipamentos de sons, incluindo auriculares, não devem ser colocados diretamente no abdomen da mulher grávida;
  • programas para proporcionar/aumentar a experiência auditiva fetal (como por exemplo, ouvir música) não são recomendados. A voz da mãe durante as atividades da vida diária, os sons do corpo materno e do meio envolvente são suficientes para um desenvolvimento auditivo fetal normal.

Intervenções com música: Apesar de não serem recomendadas pelo grupo multidisciplinar que analisou mais recentemente a exposição sonora fetal segura, estas intervenções têm sido efetuadas e têm sido referidos efeitos benéficos em grávidas.
A audição de música tem sido estudada como possível intervenção para ajudar a reduzir a ansiedade na mulher grávida (alívio do stress específico associado à gravidez, stress psicossocial e ligação materno-fetal durante a gravidez).
Distúrbios do sono pré-natais têm sido associados a resultados ao nascimento indesejáveis. Intervenções com audição de música, por exemplo durante 2 semanas, podem reduzir a ansiedade materna e ainda melhorar a qualidade do sono em mulheres grávidas com problemas de sono.

Para uma leitura mais detalhada: – Krueger
 C., Horesh E., Crosland B.A. Safe sound exposure in the fetus and preterm infant . J Obstet Gynecol Neonatal Nurs. 2012 March ; 41(2): 166–170.

 

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