experiência sensorial precoce

Estimulação sensorial do feto

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Estimulação sensorial no ambiente intra-uterino

A estimulação sensorial do feto no ambiente intra-uterino é essencial para o desenvolvimento cerebral normal durante o período perinatal.

O mundo, o ambiente que nos rodeia, tem uma infinidade de “atributos físicos”. Estes são detetados e percebidos pelos nossos sistemas sensoriais, aos quais são atribuidos significados coerentes , não constituindo um conjunto de experiências sensoriais independentes.

Isto levanta a uma pergunta óbvia: como é que essa capacidade se desenvolve?

Os seres humanos nascem estrutural e funcionalmente imaturos,  porque a experiência sensorial pré-natal é limitada mas muito importante.

experiência sensorial precoce

Para compreender como a experiência pré-natal pode contribuir para o desenvolvimento multissensorial, é fundamental reconhecer que todas as modalidades sensoriais, exceto a visão, começam a funcionar antes do nascimento e, que o seu início é sequencial. Em particular, a função sensorial desenvolve-se nas modalidades táctil, vestibular, química e auditiva, segundo esta ordem, antes do nascimento.

Enquanto a estrutura física básica dos recetores sensoriais (isto é, olhos, ouvidos, etc) desenvolve-se precocemente na gestação, a maioria do desenvolvimento neurossensorial ocorre nas últimas 16 a 20 semanas.

O feto humano tem várias oportunidades de adquirir experiência multissensorial, podendo ocorrer de diferentes formas.

Estimulação tátil

Durante o período pré-natal, o feto recebe ricas experiências sensoriais táteis, ao ser banhado pelo líquido amniótico.

Após o ínicio funcional das modalidades tátil e vestibular, o feto pode experimentar movimentos de acelaração (linear e angular) com consequências táteis destes movimentos ao “bater” contra o saco amniótico.

Estimulação olfativa e gustativa

Também importantes são a sucção (“chupar o dedo”) e a deglutição. Sabe-se que os fetos chupam os próprios dedos e engolem o líquido amniótico. O líquido amniótico que vai sendo engolido pelo feto facilita experiências quimio-sensitivas precoces.

Supondo que o feto chupa o dedo enquanto a mãe se move e fala, é possível ocorrer interação entre as consequências táteis de chupar o dedo, e estimulação auditiva e vestibular ao mesmo tempo.

Além disso, os fetos são conhecidos por aproveitar a experiência olfativa. Podem parar a sucção e deglutição do líquido amniótico, e provar e cheirar as substâncias que o líquido contem.

 

Estimulação auditiva

O desenvolvimento auditivo envolve o desenvolvimento estrutural dos ouvidos que se desenvolvem nas primeiras 20 semanas de gestação e o desenvolvimento neurosensorial do sistema auditivo que se desenvolve primariamante após as 20 semanas.
O sistema auditivo torna-se funcional por volta das 25 semanas de gestação (3º trimestre da gravidez).
As estruturas mais importantes no desenvolvimento do sistema auditivo são células específicas da cóclea (ouvido interno) e o cortex auditivo no lobo temporal. O período das 25 semanas de idade gestacional aos 5-6 meses de idade são críticos para o desenvolvimento da parte neurossensorial do sistema auditivo.
Ao contrario do sistema visual, o sistema auditivo requer estimulação auditiva externa.
A resposta fetal à estimulação auditiva (voz materna) é evidenciada pelos movimentos fetais espontâneos, notados logo às 27 semanas de gestação, estabelecendo a ligação social e comunicação durante o desenvolvimento precoce.
No 3º trimestre, se a mãe falar quando o feto se move, este pode experimentar sensações táteis, vestibulares e auditivas ao mesmo tempo.

A exposição sonora durante a gravidez afeta o feto e a mãe. A exposição ao som pode ser benéfica durante a gravidez, mas existem recomendações sobre exposição sonora segura que devem ser consideradas para um normal neurodesenvolvimento.

Estimulação visual

O sistema visual é a última modalidade sensorial a desenvolver-se. A maturação da via visual ocorre apenas na altura do nascimento, aproximadamente às 39-40 semanas de gestação.

A estrutura física dos olhos desenvolve-se precocemente na vida fetal, mas os componentes neuronais e as conexões neuronais desenvolvem-se na vida fetal tardia e na vida neonatal precoce. 

Conclusão: 

A complexidade e variedade de interações multissensoriais pré-natais é limitada pelo desenvolvimento sequencial das diferentes modalidades sensoriais. Isto pode ser vantajoso para o desenvolvimento fetal, por promover uma emergência sensorial das funções multissensoriais.

A imaturidade neuronal e a falta relativa de experiência percetiva pode ser vista como vantajosa, permitindo que cada modalidade sensorial se desenvolva de forma organizada.

Não existem dúvidas de que o sistema nervoso se torna gradualmente multissensorial, à medida que o desenvolvimento pré-natal progride.

A experiência pré e pós-natal adequada será fulcral para a emergência de função multissensorial normal.

 

 

 

 

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