experiência sensorial precoce

Ressonância magnética fetal

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Ressonância magnética fetalRessonância Magnética fetal permite uma visualização detalhada do feto (avaliação de vários órgãos, como cérebro, pulmões e rins), assim como estruturas relacionadas com a gravidez (placenta, cordão umbilical e cavidade amniótica).

Permite a avaliação cerebral do feto em desenvolvimento, incluindo o reconhecimento do parênquima cerebral, do aparecimento de sulcos, mielinização, alterações do tamanho ventricular.

O objetivo principal da imagem por Ressonância Magnética (RM) fetal é a deteção de lesões ou anomalias não visualizáveis por ecografia, ou esclarecer achados ecográficos duvidosos.

As indicações mais frequentes para a realização de RM fetal são neurológicas.

Contudo, a RM fetal pode dar informação diagnóstica limitada em idade gestacional precoce, devido ao pequeno tamanho do feto e existência de movimentos fetais (pelo que se utilizam sequências rápidas).

A decisão de efetuar RM fetal deve ser multidisciplinar. A mãe deve ser informada sobre as vantagens e limitações deste exame.

A RM é um exame diagnóstico não invasivo, que não envolve radiação ionizante. Não são conhecidos efeitos laterais negativos, nem há registos de sequelas após a realização do exame.

As mulheres grávidas podem aceitar a realização de RM em qualquer estadio da gravidez, se clinicamente indicada e se outra modalidade de imagiologia diagnóstica não invasiva for inadequada (MR safety states, American College of Radiology). No entanto, é prudente esperar até às 17-18 semanas de gestação antes de realizar uma RM fetal, pelo risco potencial para o feto em desenvolvimento e pelas limitações atuais da RM fetal na avaliação de fetos de tamanho pequeno e com movimento excessivo.
Antes da execução do exame, um consentimento informado escrito é em regra solicitado à grávida.
Em regra, a RM fetal é efetuada a partir de 24 semanas de gestação.

Um dos principais problemas técnicos da RM fetal á a degradação da qualidade de imagens obtidas causada por movimentos fetais, contrações maternas ou mesmo movimento materno relacionado com o tempo de execução do exame (por vezes um tempo considerado longo para uma mulher grávida).

O papel da RM fetal pode ser considerado em três prespetivas diferentes:
1) assegurando e tranquilizando os pais sobre a normalidade do cérebro fetal;
2) clarificando anomalias detetadas na ecografia, dando alguma informação adicional que pode ter relevância no prognóstico e tratamento ao nascimento;
3) acrescentando uma avaliação cerebral functional à avaliação ecográfica morfológica.

Devido à sua melhor resolução de contraste, a RM fetal torna mais fácil delinear a sulcação do cérebro, avaliar as estruturas da fossa posterior, identificar lesões subependimárias e parenquimatosas. A deteção de hemorragia crónica (“antiga”) e de lesões pouco mineralizadas é notável com a imagem de RM. Além disso, algumas estruturas cerebrais são visíveis na RM e, não são observadas na ecografia (bulbo olfativo, glândula pituitária e haste pituitária) ou são visualizadas com muita dificuladade (quiasma ótico, canais semicirculares).

imagens de RM fetal

 

 

 

 

 

 

A RM fetal pode ser útil em algumas das seguintes situações (avaliação cerebral):

  • anomalias congénitas: ventriculomegalia isolada (etiologia? avaliação de possíveis anomalias associadas), microcefalia (etiologia), macrocefalia (giração, parênquima encefálico), outras (holoprosencefalia, disgenesia do corpo caloso, malformações do desenvolvimento cortical cerebral, anomalias da fossa posterior);
  • história familiar de anomalias cerebrais: esclerose tuberosa, disgenesia do corpo caloso, malformações da fossa posterior, malformações do desenvolvimento cortical cerebral;
  • deteção ecográfica de rabdomiomas (esclerose tuberosa?), anomalias cerebrais da linha média (nomeadamente agenesia do septo ou agenesia do corpo caloso) com possíveis anomalias associadas, ou anomalias da fossa posterior;
  • suspeita ou presence de anomalias do parenquima cerebral fetal (isquemia, hemorragia)
  • risco aumentado de isquemia cerebral: gravidezes gemelares monocoriónicas com síndrome de transfusão entre os fetos ou morte intra-uterina de um dos fetos; suspeita de doença infeciosa fetal;
  • anomalias vasculares: malformações vasculares, hidranencefalia, enfartes, complicações de gravidezes gemelares.

A RM fetal pode detetar defeitos do tubo neural discretos, não observados por ecografia, e determinar o nível de defeito no mielomeningocelo para potencial cirurgia fetal. Também permite o diagnóstico de outras anomalias congénitas da coluna vertebral.
A medula espinhal é geralmente bem visualizada por ecografia (a comparação com a RM favorece a ecografia). A ecografia tem melhor resolução espacial, e existe a possibilidade do uso de sondas de alta frequência em situações fetais específicas (quanda as costas do feto estão viradas para a frente).

A RM fetal terá um papel crescente no aconselhamento pré-natal e mesmo na terapia fetal.

 

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