diagnóstico pré-natal

Diagnóstico pré-natal : exames de imagem

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Diagnóstico pré-natal : exames de imagem

exames de imagem fetal

O diagnóstico pré-natal inclui diversas abordagens de rotina para a avaliação do crescimento e desenvolvimento fetal, nomeadamente a triagem sérica materna e exames de imagem como a ecografia (abdominal ou transvaginal).

A avaliação cerebral é particularmente importante.

 

A ecografia permanence a modalidade de imagem primária para as mulheres grávidas e determina se há indicações para a realização de ressonância magnética (RM) fetal.
A ecografia permanence a modalidade de escolha para a imagiologia pré-natal de rotina devido à sua disponibilidade generalizada, segurança, precisão, capacidade de realização em tempo real e baixo custo. A ecografia, transabdominal ou transvaginal (a útima produz imagens com maior resolução) foi inicialmente desenvolvida nos anos 50. Os seus avanços tecnológicos permitiram, por exemplo, a deteção do fluxo sanguiíneo em grandes vasos e o movimento das válvulas cardíacas.

ecografiaPermite obter parâmetros importantes, que incluem características da idade e crescimento fetal; presença ou ausência de anomalias congénitas; estado do ambiente uterino (nomeadamente quantidade de liquido amniótico); posição da placenta e fluxo sanguíneo umbilical, existência de gestações múltiplas.

No entanto, há algumas dificuldades relacionadas com a interferência do feixe ecográfico e a sua penetração pelas estruturas maternas adiposas ou a posição da cabeça fetal, que pode estar localizada profundamente na pelve materna (dificultando a visualização por ecografia abdominal ou mesmo ecografia transvaginal). Na presença de oligohidramnios, a avaliação ecográfica não pode ser corretamente obtida.

Algumas anomalias/malformações são difíceis de detetar por ecografia, especialmente anomalias cerebrais. As malformações congénitas são a principal causa de mortalidade neonatal, daí a importância do seu despiste.

Além disso, depois das 33 semanas de gestação (terceiro trimestre da gravidez), a ossificação da calote craniana limita a adequada visualização das estruturas cerebrais, particularmente na fossa posterior (tronco cerebral e cerebelo).

A ecografia e a ressonância magnética (RM) são modalidades de imagem multiplanares e não invasivas. Contudo, a RM permite obter uma melhor resolução de contraste e caraterização dos tecidos. Além disso, a RM é uma modalidade de imagem multiplanar e fornece a visualização de uma area considerável (FOV – field of view), permitindo o exame de fetos com anomalias complexas ou amplas e, a visualização de lesões no corpo fetal inteiro. A visualização do feto não é significativamente afetada pela obesidade materna, pela posição fetal, por oligohidramnios, e a visualização do cérebro não é limitada pelo crânio em ossificação. A RM permite obter melhor visualização de estruturas fetais como pulmões, fígado, rins e intestinos.

O primeiro registo da RM na gravidez refere-se a 1983. A imagiologia por RM fetal tem-se desenvolvido consideravelmente ao longo de mais de 30 anos. O papel desta técnica e as suas aplicações na prática obstétrica tem aumentado progressivamente. A ecografia não deixou de ter o seu papel importante, com avanços tecnológicos qualitativos.

A importância e disponibilidade de cada modalidade de imagem difere entre vários países, tendo por base diferentes políticas de saúde pública. Um fator com grande impacto no uso da RM pré-natal é a legislação local sobre a interrupção voluntária da gravidez.

Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez (IVG) por malformações fetais é apenas permitida por lei até às 12 semanas de gestação. A IVG é permitida em qualquer momento da gravidez em caso de risco para a grávida (“perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida”) ou no caso de fetos inviáveis (Lei de nº 16/2007 de 17 de Abril).

Quando a IVG é apenas autorizada até às 23-24 semanas de gestação, a RM é efetuada precocemente na gravidez, quando as estruturas cerebrais ainda estão muito pouco desenvolvidas. Quando a interrupção voluntária da gravidez é permitida até ao nascimento (por exemplo em França), observa-se uma tendência em efetuar exame de RM mais tarde, durante o terceiro trimestre, para uma avaliação cerebral mais completa (giração/sulcação, avaliação do parenquima cerebral e de outras estruturas).

Não é de esperar que a RM substitua a ecografia na avaliação primária da gravidez. A ecografia permanece a modalidade imagiológica para a avaliação das doenças relacionadas com a gravidez, mas a RM fetal será usada de forma crescente.

A RM é geralmente solicitada apenas para avaliação de uma certa região anatómica fetal, quando não é necessária uma avaliação fetal anatómica completa. A realização de RM fetal é essencialmente efetuada em casos de suspeita de patologia cerebral.

 

 

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